Sexta-feira, 23 de Setembro de 2005

EFEMÉRIDE ESCUSADA

Freud_Gross.jpg

Pensando estar certo, mas admitindo estar errado, se calhar fifty-fifty, acho que uma efeméride de hoje não é muito estimável para os portugueses e as portuguesas.

Falo, como se percebeu, e quem não percebeu que perceba agora, de lembrar que “Sigmund Freud, o inventor da Psicanálise, morreu, em 23 de Setembro de 1939, na sua casa em Londres, com 83 anos de idade” como muito bem nos refrescou a mona o JG (a quem aproveitei para gamar a imagem).

E porque disse o que disse? Pois eu acho que, por mor dos efeitos a médio e longo prazo da cultura da castidade-castração da nossa tradição judaico-cristã (que foi boa noutras coisas, eu sei), os portugueses e as portuguesas não gostam do Freud. É que o tipo esgravatou onde, se calhar, não devia esgravatar. E vou já tentar desenvencilhar-me desta sentença atrevida.

Se há coisa que os portugueses evitam é o tema da sexualidade. Pelo que se sabe, para tantos e tantas, a coisa é pimba e já está e quando se trabalha não se assobia. E se os portugueses e portuguesas são bons e boas, gostando mesmo da coisa (verdade, consta da história!) quando fornicam fora de casa, pelo que se vê, a fornicação caseira não é, não pode ser, de todo gratificante. Senão como entender o número de facadas no matrimónio, cenas de ciúmes, desvios, abusos e crimes sexuais que preenchem páginas de jornais e revistas? E a tendência fácil para o incesto, a pedofilia e a paneleiragem? Mais a atracção por milhentos pontos de alterne com brasileiras, eslavas, travestis ou o quer que seja? Pois daqui pode-se concluir diferente do que - “tanta disponibilidade acumulada, extrovertida e enviesada só mostra mínguas domésticas”?

Andamos de tusa encolhida mas esbaforida, é o que é. Passada a lua-de-mel, nascidos os filhos, o gosto, a imaginação e a fantasia mirram, a lonjura do horizonte monogâmico encurta-nos perante a rotina, e é então que o fruto exógeno, exótico, transgressor ou proibido passa a ser o apetecido, mesmo que sob o preço de tudo quanto é fugaz. Porque não fomos feitos para sermos só nem libertinos nem castos antes uma sábia combinação de tudo um pouco e sempre leais com quem nós escolhemos e nos escolheu para jogarmos um mesmo jogo de vida. A padrelhada bem fez por nos castrar mas só conseguiu sublimações mal esgalhadas. Limpem, então, as mãos à parede.

Ó Freud, passa ao largo que aqui só espalhas a confusão e o desatino. Aqui, é reino do Papa e da trangressão cobarde do alívio.
publicado por João Tunes às 17:43
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