Sexta-feira, 16 de Setembro de 2005

QUANDO OS INTERESSES UIVAM

vitorino.jpg

O caso Vitorino/PS/Galp/Iberdrola não é comparável ao nepotismo partidário rasca das nomeações de Fernando Gomes para a Galp e de Armando Vara para a CGD (*). Nem pensar. Este “caso” é muito pior. Se naqueles do “génio petroleiro” e do “campeão de salto à vara”, temos a versão chunga da atribuição de milho graúdo a pardais de poleiro, pelo que se vai sabendo, o “caso Vitorino” tem outros contornos. Mais graves porque, extravasando o campo das sinecuras partidárias, parece dar sinais que existe uma agência de interesses económico-partidários a funcionar. A funcionar bem para uns interesses e muito mal para o decoro e transparência que devia estar associado à salvaguarda de outro interesse - o público.

O interesse da Iberdrola em abocanhar a Galp é público e tinha já um actor de primeira grandeza na boca de cena e a fazer-lhe a cama (ver aqui). Se se confirmam os desígnios profissionais de Vitorino (numa associação de escritórios de advogados lusos e espanhóis que vão ter, por ínvias ramificações, a clientes em que se incluem Galp e Iberdrola), com continuidade de co-habitação parlamentar (no mesmo grupo) de Vitorino e Pina Moura, então o caldo entornou-se já para a mesa da promiscuidade político-económica e com o Estado a servir “pratos do dia” e de guardanapo rosa a enfeitar o braço. A menos que tudo não passe de “uma conspiração da comunicação social” montada para encanecer a cabeleira de Sócrates e proporcionar sorrisos rasgados e fotogénicos a Jerónimo e Louçã.

Isto está a ficar feio. Pior só mesmo a ausência icompreensível de Paulo Pedroso em Tribunal no julgamento do “caso Casa Pia” e para aí poder-se evidenciar a substância da sua inocência face às acusações graves de supostas vítimas e de testemunhas e que o colocam, em termos acusatórios ou difamatórios, no mesmo patamar de presumível culpabilidade relativamente aos arguidos sujeitos a julgamento.

(*) – Não refiro a nomeação de Guilherme de Oliveira Martins para o Tribunal de Contas porque, aqui, a personagem tem uma imagem merecida e impoluta de quem - pelo seu valor e isenção – não merece que se questione o direito de afirmação pública por sofrer da marca de ser “homem do PS” mesmo que se suponha que encarne a sua ala social-cristã à procura da recuperação desde a “travessia do deserto” que se seguiu aos “tempos dourados” de Guterres.
publicado por João Tunes às 15:11
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