Domingo, 5 de Junho de 2005

DEMOCRACIA – UM PONTO DE PARTIDA?

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Saramago que escreva. O máximo. Para gosto dos que gostam dos seus livros. E que fale também. Mas quando fala por falar, em vez de escrever, com outros a escreverem o que ele fala, sujeita-se a ouvir assim.
publicado por João Tunes às 23:38
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Sábado, 4 de Junho de 2005

NADA CONTRA

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Não tenho nada contra os turcos. Porque havia de ter? Não, não tenho. Repito: não tenho nada contra os turcos.

Mas, nada tendo contra os turcos, também nada me move contra as turcas. Nem contra os curdos. Nem contra os arménios. Nem contra os cipriotas. Nem contra os europeus.

E se estou contra a entrada da Turquia na UE, nas condições actuais e à vista, não é por ser contra os turcos. É por ser a favor das turcas, dos curdos, dos arménios e dos cipriotas. E, já agora, dos europeus.

É preciso explicar mais? Tenho mesmo de dizer isso na forma estupidamente simplista, redutora e desviante de um NÃO num Referendo e depois ir fazer a festa para o Rossio juntamente com o Le Notre Petit Le Pen, fazendo a figura que fizeram franceses e holandeses? Salvem-me dessa, por favor. Porque eu não tenho nada contra os turcos.
publicado por João Tunes às 16:19
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O ENCOBERTO VINDO DA SULITÂNIA

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Disse: ”Lá falar, não tenho falado nada, mas compreendo tudo!!!!”

O que já é falar qualquer coisa. E eu respondo: Olá Compadre!

Para os interessados, em compreender e saborear o projecto do Isidoro, liguem para o 96 808 16 72, reservem mesa, arejem o bólide até Vimieiro (entre Arraiolos e Estremoz), estacionem ao pé do Coreto e perguntem onde fica a “Casa de Comes-e-Bebes” com porta da cor de sangue de boi na Rua do Laranjal. Depois do repasto e para ajudar a digestão, dêem uma volta pelas ruelas da vilória e apreciem a arquitectura nativa (há por lá muito "património invisível"). Vale, garanto eu.
publicado por João Tunes às 11:45
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Sexta-feira, 3 de Junho de 2005

PODER, DITADURA E POLÍTICA, SEGUNDO ANTÓNIO

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5/6/1905:
Não sei onde poderei chegar. Observo as pombas a adejar sobre o campanário e apetece-me voar mais alto que elas.

11/5/1909:
Dei com as Encíclicas do Papa Leão XIII. Folheei a Diuturnum e fiquei entusiasmado. Depois, li-as todas de seguida: Immortale Dei, Libertas, Sapientiae Chistianne, Rerum Novarum… Quando cheguei ao fim, voltei atrás. Merecem uma análise mais cuidada.

18/5/1909:
Encontrei o que procurava. As Encíclicas são claras e apontam os caminhos que os católicos devem seguir no campo da intervenção política. Interiorizei algumas ideias que dificilmente virei a pôr de lado.

18/5/1909:
A liberdade excessiva é um erro! Pensar e poder publicar os próprios pensamentos não é por si um bem de que a sociedade tenha de se felicitar; é antes a fonte de muitos males.

14/10/1909:
Vejo agora claro. Não nasci para padre. Dificilmente me adaptaria à vida eclesiástica. Sinto necessidade de transferir para a acção os princípios em que acredito. Posso servir a Igreja e o País de outra maneira.
Tenho conversado longamente com a minha mãe. Ela concordou comigo.

18/3/1911:
Há que regressar aos valores tradicionais, aos pilares da civilização: a Nação, a Família, a Autoridade, a Hierarquia e, acima de tudo, Deus.
Um Estado nacional deve vigiar a sua imprensa e conduzi-la na direcção dos interesses comuns.

18/3/1916:
Sempre tive dificuldade em conviver. Os outros miúdos achavam-me diferente. Não lhes merecia grande consideração. Tornei-me muito cedo solitário.
Será que terei de carregar às costas, vida fora, as humilhações da mocidade? É por isso que me falta a confiança quando tenho de encarar um grupo de mais de dez seres humanos?

18/10/1916:
Prediz Maquiavel: será feliz aquele que souber acomodar-se com o seu tempo.

18/11/1920:
O chefe não pode mostrar defeitos nem fragilidades. Ninguém deverá saber que sou rancoroso, que sofro de enxaquecas e, muito menos, que atravesso períodos de profundo desânimo em que me é difícil tomar mesmo as decisões mais simples.
Sábio e santo parecerei… Já me custou mais transportar a máscara. Afinal de contas, o hábito faz o monge.

2/8/1923:
Sou um misantropo. Vai-me dominando o espírito essa parte de mim.
Não me sinto político. Nunca o serei. Intelectualmente sou uma pessoa de gelo. É-me difícil partilhar emoções.

2/6/1926:
Fui convidado para Ministro das Finanças. A minha mãe aconselhou-me vivamente a aceitar: “se te pedem, é porque precisam de ti, é porque o País precisa de ti.” Depois de muitas hesitações, acabei por anuir.

21/1/1930:
Ainda não chegou a minha vez… O General Domingos de Oliveira é o novo chefe do Governo.
Pelo menos, juntei às Finanças a pasta das Colónias.

6/2/1930:
De tanto representar, chego a olhar-me ao espelho sem saber se posso confiar na imagem com que me confronto.

2/6/1931:
Falam em eleições. Não vêm que é andar para trás?

30/12/1931:
Sinto o Poder mais próximo; olho em redor e não vejo quem me possa fazer sombra. Sou, cada vez mais, o Chefe de que o País precisa.
Se me encaixo melhor ou pior na moldura, o problema é apenas meu.

28/6/1932:
Alcancei o objectivo que perseguia: mando em Portugal.

29/8/1933:
Foi criada a Polícia de Vigilância e de Defesa do Estado.

31/7/1941:
Churchil é insuportável!

6/1/1949:
Portugal nasceu à sombra da Igreja e a religião católica foi desde o começo elemento formativo da alma da Nação e traço dominante do carácter do povo português. Nas suas andanças pelo Mundo – a descobrir, a mercadejar, a propagar a fé – impôs-se sem hesitações a conclusão: português, logo católico.

26/3/1949:
O Partido comunista sofreu um golpe duro. Foi apanhada a maior parte da sua direcção, incluindo o cabecilha.
Pedi informações sobre ele. Chama-se Cunhal. Não é um operário: o diabo nunca foi tolo… Formou-se em Direito, em Coimbra, com classificações elevadas. É um homem inteligente e culto. Vive a sua causa como se professasse uma religião, o que o torna perigoso.
Apodrecerá no Forte de Peniche.

18/5/1958:
Delgado há-de pagar-mas!
Cresceu pela minha mão esse americanizado! Peguei nele, amparei-o e fi-lo crescer. Nomeei-o adido militar em Washington. Por lá esteve vários anos. Pretendeu várias prebendas; acabei por o nomear director-geral da Aeronáutica Civil.
Aprendeu a rosnar: “Obviamente, demito-o”!
É mais um que morde a mão que lhe deu o pão.

6/6/1958:
E se ele ganha?
Devo estar tonto! Tenho o Santos Costa bem à mão. Coordena o Exército e a Polícia. Com o ministro do Interior não posso contar. Lá no fundo, é um fraco.
Por mais que isso me custe, os resultados das urnas serão os que eu melhor entender.

16/12/1961:
As nossas províncias ultramarinas podem vir a sangrar. Mas eu sei o que é isto: em parte alguma arriaremos a bandeira!

25/1/1965:
Churchil sentiu sempre uma grande aversão por mim. Não sei porquê.

20/6/1966:
Em política tenho bastantes aliados, muitos adversários e nenhum amigo.
E na vida?
A pergunta é escusada. A verdade é que não me resta vida fora da política.

23/1/1968:
Hão-de dizer muito mal de mim.

2/6/1968:
Preciso urgentemente de um sucessor. Olho em redor e não enxergo ninguém à minha altura.

(de “O Diário de Salazar”, António Trabulo, Ed. Parceria A.M.Pereira)
publicado por João Tunes às 23:56
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DITADURA, SEXO E IGREJA, SEGUNDO ANTÓNIO

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7/1/1905:
Vistos de longe, parecemos uma procissão de corvos. As sotainas pretas seguem-se tristemente umas às outras. Alimentamo-nos da mocidade que há em nós.
Estamos proibidos de voar. Obedecemos. Geralmente portamo-nos bem e seguimos os caminhos que nos indicam.
Somos corvos espertos: todos sabemos algumas frases em latim e nenhum abrirá o bico para soltar o queijo ou para dizer o que realmente pensa.

7/5/1905:
Lembro-me de quando fui, com o António Duarte, espreitar a cela do David.
Manda-nos o regulamento dormir com as portas abertas, mas proíbe-nos de entrar em quartos alheios.
A bem dizer não desrespeitámos a regra, pois não passámos do corredor. Nada vimos: estava escuro como breu; ouvimos apenas uns gemidos estranhos. Pouco mais pudemos apurar porque sentimos os passos do Padre Director e nos escapámos a correr para as nossas camas.

12/5/1905:
Às vezes penso que não quero ser padre. Também não faço tenções de ser professor primário nem funcionário público. A verdade é que ainda não sei bem o que pretendo.

11/11/1911:
O combate político vai-nos irmanando. Sinto-me cada vez mais próximo do padre Manuel Cerejeira e vou fazendo outros amigos.

28/12/1928:
Chega ao fim um ano muito especial. O padre Manuel Cerejeira foi feito bispo, por decisão do Papa Pio XI. E eu, cá estou.
O Vaticano não dá ponto sem nó. A estadia de Mateo nos Grilos não foi fruto do acaso nem de um impulso momentâneo do Manuel.

22/12/1929:
O Manuel Cerejeira subiu. É agora Cardeal.
Eu tenho quarenta anos e, mais tarde ou mais cedo, serei primeiro-ministro.
Chego a imaginar que cada ser que nasce é contemplado aleatoriamente com bênçãos ou maldições. A nós, calhou-nos ser distinguidos entre os demais pela inteligência e pelo carácter.

29/8/1933:
Foi criada a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado.

20/9/1951:
Falei verdade à francesinha, mas não disse a verdade toda.
A minha vida interior não se reduz a preocupações de ordem intelectual. Comporta frequentemente imagens mais profanas.
Imaginar Christine a despir-se, expondo progressivamente o seu corpo elegante e perfumado tornou-se uma das minhas fantasias.

28/12/1958:
Só me faltava esta! O bispo do Porto fez circular uma carta aberta em que critica o regime, em nome dos princípios cristãos.
Terá esquecido a Igreja tudo quanto me deve?
É a primeira vez que um dignitário da Igreja se ergue contra mim. Procurarei que seja a última. Seremos duros para com ele, e até implacáveis!

17/10/1962:
João XXIII escancarou as janelas do Vaticano às tempestades do mundo.
Lá para diante, há-de vir outro Papa que segure de novo as rédeas com firmeza e restabeleça os grandes princípios da Igreja. Eu já não verei isso.

4/6/1965:
Será que o Cerejeira nunca teve uma namorada?

14/12/1965:
Desconfio que o Manuel Cerejeira se masturbava diariamente no tempo dos “Grilos”. Pelo menos, fechava-se na casa de banho todos os fins de tarde e ficava lá mais de meia hora.

(de “O Diário de Salazar”, António Trabulo, Ed. Parceria A.M.Pereira)
publicado por João Tunes às 19:17
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O MEDO NO NÃO

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Em mais uma das suas crónicas no Público com que reforçamos a ideia que o suicídio é a única via para a sobrevivência dos portugueses e dos europeus, VPV refere as virtudes americanas (exemplificando no campo do sucesso na educação e na incorporação tecnológica) e termina: “Contra isto, a França, a Holanda e a “velha Europa” têm o seu “modelo social”. Até não terem nada.” Como se os caminhos que forjam povos e nações pudessem ser invertidos.

A idolatria neo-liberal tem destas coisas. E uma daquelas em que mais abusa a inventar dicotomias é entre o “social” e o “mercado” (quando o problema, nesta área, em vez de primado, resulta da diferença entre a competência e a incompetência em as conjugar).

A América nasceu selvagem, individualista e feita por imigrantes. E continuam a ser imigrantes os que renovam hoje a onda capitalista selvagem americana, agora falando castelhano com sotaques latino-americanos. Como são eles, os imigrantes mais recentemente chegados da América Latina, quem garante as vitórias de Bush. E tornam a América mais americana. Porque um imigrante recém-chegado aos EUA, a fazer pela vida, é logo americano dos pés à cabeça (em França, na Alemanha, na Holanda, é assim?).

A Europa teima em não querer adoptar a selvajaria mas confundindo-se sobre onde ela está. Sobretudo, a Europa, ao contrário da América, tem medo dos imigrantes. Primeiro, esse medo europeu dos imigrantes pintou-se de fascistóide e xenófobo, hoje uma parte (em crescimento) da direita democrática e da esquerda democrática (ou não) vai atrás das primeiras fatias eleitorais que se deslocaram da esquerda para a direita (melhor, para a extrema-direita) fixadas nesse medo. Um medo que cresceu a assobiar-se para o lado como se fosse uma fantasia de mau gosto. E a história, mal amanhada, da Turquia foi a gota de água a transbordar o copo da irresponsabilidade na lide com os medos.
publicado por João Tunes às 12:25
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Quinta-feira, 2 de Junho de 2005

HISTÓRIA NO SANGUE DE ANGOLA

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A não deixar de ler os três magníficos posts que o WR dedicou a ”OS TEMAS PROIBIDOS NA HISTÓRIA RECENTE DE ANGOLA” bem como os contributos depositados na sua “caixa de comentários”. Isso mesmo, enquanto duram os tabus não há História, há estórias. E até que a história do 27 de Maio de 1977 se faça, ainda há muitas estórias para contar.

Aqui.

Adenda: Agradeço também ao WR mostrar o caminho para ler a esclarecedora entrevista que se pode encontrar aqui.
publicado por João Tunes às 15:37
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EM CASA NOVA (OUTRA VEZ)

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Teve que ser. O Água Lisa (2) já estava sobrelotado. Benvindos são.

Nota: Antes, andei pelo Bota Acima e pelo Agua Lisa (1).
publicado por João Tunes às 15:29
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