Sexta-feira, 29 de Julho de 2005

INTERVALO PARA IR AO SUL

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Estava a precisar de uma ilha. Não demasiado grande que lhe perca o desenho do contorno nem tão acanhada que fique sem espaço para estender os pés. Esta veio a calhar e combinada está para altar de areia em romaria da tribo. Vou até aqui por uns tempos. Conto voltar do Sul no próximo dia 13. Fiquem com a companhia das minhas saudações.
publicado por João Tunes às 18:31
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NA HORA DA AUTOCRÍTICA (2)

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O Manuel Correia, com quem bati um acalorado papo também não quis, aqui, de deixar a sua versão de “auto-crítica” que, por respeito ao contraditório, não posso deixar de permitir honras de idêntico relevo. Aqui vai o inspirado texto do Manuel Correia:

”Estes palonços proto-pacifistas, ex-comunistas e de outros credos inconfessáveis, que andaram um ror de anos a pregar o desanuviamento enquanto os seus émulos encartados patrulhavam os gulags esfiapando os espíritos e as carnes dos que ousavam dessidir do 'pensamento único', estes apologistas do 'triunfo dos porcos' disfarçados de 'homem novo' e de outras balelas superficialmente profundas, estes energúmenos - esta gente, - dizia eu, vem agora derreter-se em derriços de Gandhi, quando o que escondem na alma é um Guevara amaneirado, uma identidade perdida, um choro convulsivo pelo maldito modelo socialista que não conseguiu sair dos escritos dos melhores pensadores do século XIX. Pensam eles que nos conseguem persuadir e conduzir a mais um fracasso, desta vez contra o terrosrismo internacional de pretexto islâmico, sem perdão, sem explicação, demoníaco de alto a baixo, sem sequer ancoragem histórica ou antropológica que nos pudesse levar a fazer uma pausa na dinâmica aceleracionista e conceder-lhe, de sobrolho franzido (como convem) um rápido soslaio. Estes patós não percebem que a única receita que pode salvar-nos - física e espiritualmente; individual e colectivamente - é a guerra, é fazer cantar as armas onde os pacifistas baratos e chéchés, como Soares, Freitas, Louçãs, Jerónimos, et j'en passe, acabam, com as suas falinhas mansas de rameiras arrependidas, por os justificar e criar as condições para que continuem a matar-nos. Cuidado. O próximo podes ser tu. Melhor: o próximo serás tu. Mata-os antes que te matem. A solução é só uma: a guerra. Em frente. Não te deixes acobardar pela sedução pseudointelectual dos que querem arrepiar caminho, fingindo que pode haver outras soluções. À morte. Ao fim.”
”PS. - O Zapatero nunca me enganou; o Blair está a deixar-se ir e dos ingleses não se pode esperar melhor. Essa história da 'Aliança das Civilizações' é um logro. A estratégia de Bush é que está certa. Ocupá-los, humilhá-los, esmagá-los. Quando já nada restar dos homens, acabar-se-ão os problemas. Como diz o nosso astro JPP, não há razões sociais por detrás do terrorismo global. São todos ricos, educados, leitores da Vogue e clientes Dior. A Palestina nunca existiu. É uma invenção do defunto Arafat. Não se deixem ir nos cantos de sereia dos tartufos que em vez de esqueleto têm duas fileiras de costelas antropológicas. Ponham cobro ao arrazoado dos pensadores antibelicistas. Como dizia Pessoa, 'É a Hora'. Em frente. A sorte protege os audazes. Vamos a eles. E se eles morrem cobarde e suicidariamente nas suas acções de guerrilha, ocupemos-lhes as terras, retaliemos sobre as famílias, os vizinhos, os amigos, os simpatizantes e, por fim, se tudo isso não resultar, por todos os que com eles mostrarem qualquer parecença ou semelhança minimamente significativa que nos alerte para a possibilidade de poderem vir a ser terroristas. É aqui que reside a solução. Não há outro caminho. Não há outro modo de pensá-lo. Ide e mataio-os todos.”


Restará perguntar em que podem dar os dois “pensamento únicos” caricaturados por projecção no espelho (por mim e pelo MC) e que, afinal, não passam de arremessos convenientes (inevitavelmente demagógicos) de tentativa de anulação de discursos que, se comungam na vontade de esconjurar medos, logo se perdem nos atalhos da procura de culpados reduzidos a esqueletos armazenados dos tempos dos velhos resssentimentos que teimam na vacuidade da basófia de serem eternos.

Pela minha parte, direi que, se acredito que a barbárie de Bin Laden nos afronta no que as nossas sociedades têm de melhor (a laicidade da separação entre Estado e Religião, direitos humanos e de possibilidade de tendência para mais igualdade, escolha dos modos de nos organizarmos, liberdade de expressão do pensamento, o princípio “um homem, um voto” nos processos de escolha e de governo), a violência da sua agressão suscitou-nos, como resposta, trazermos à superfície o que temos de pior (a oportunidade de bramir preconceitos e desforrar ressentimentos, o reflexo securitário do recurso mais rápido a disparar que a pensar, estarmos mais disponíveis para agredir que para unir e substituir por facadas as bandeiras esfarrapadas levadas pelos ventos ideológicos, dificuldades em vivermos com o terror pela preguiça de demasiadas décadas em que o ladeámos à sombra do “equilíbrio da guerra fria”). E, neste aspecto, reconheço que Bin Laden conseguiu uma primeira vitória parcial. Se lhe dou este “benefício de mérito”, não desistirei de tentar contribuir para que que ele não ganhe a guerra, ou seja, que não consiga destruir-nos no que temos de melhor. Para isso, primeiro que tudo, temos de resolver rapidamente os nossos problemas de surdez e a primeira condição para esta prevenção de otorrino-política, é limpar ouvidos através do decantar dos ressentimentos, impedindo que eles entupam de cristais a nossa liberdade de pensar. Finalmente, relativamente àqueles que colocam a tónica na “compreensão do fanatismo terrorista”, eu chamo a atenção que talvez sim (e, por favor, não me venham com a história da “contradição” por manifestar posição diferente de há uns tempos atrás porque sou um cidadão vulgar que vai aprendendo enquanto pensa e não tem a suprema ambição de “viver e morrer com a coerência à Cunhal”) mas antes limpemos o nosso olhar, olhando-nos melhor. Talvez seja vaidade excessiva considerar que as minhas conversas com o MC, aqui e no Puxa Palavra, foram exercícios de esgotamento de arquétipos e preconceitos que nos embaraçam o pensar este fenómeno terrível que nos caíu em cima e para o qual, manifestamente, as velhas armas cognitivas e ideológicas se mostram obsoletas. Se foi assim, ao prazer do costume de conversar com o meu estimado amigo Manuel Correia, juntem-se alguns juros de benefício pela evidência do ridículo dos exageros no amor aos estereótipos.
publicado por João Tunes às 17:54
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À SAÚDE DA IRLANDA

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Nem tudo são más notícias no meio do muito negro que povoa as notícias e o não menos cinzento que encharca a modorra das sociedades a engravidar de tensões e a ameaçar parto obrigatório um dia destes.

O anúncio do “abandono das armas” pelo IRA e a sua transferência de acção para a actividade política, é melhor que uma boa notícia – é uma promessa de esperança. E é sobretudo - na esperança (na falta dela) - que se acumula o nosso maior défice (este sim, a ameaçar de bancarrota a saúde social).

Com a história irlandesa fracturada num longo percurso de esbulhos, fanatismos, violências organizadas e estruturadas, com muitos “profissionais” delas vivendo (em muitos casos com hábitos de sobrevivência e vivência marginais), ideologizadas com nacionalismo, interesses e religiões à mistura, com cada fracção ciosa dos seus “feitos”, dos seus mártires, dos seus tabus, com as suas ligações a comunidades da diáspora ou ao império, a reconversão dos fundamentalismos irlandeses não vai ser fácil nem acredito que a obra seja feita em desfile por avenida coberta de flores. Mas estas dificuldades, e que dificuldades, só atestam a coragem (digamos, cívica) dos que arriscam a reconversão política do IRA e a pacificação na vivência entre as comunidades irlandesas. Restando saber se o fanatismo simétrico lhe corresponde com igual sabedoria. O futuro dirá se a obra estará à altura do projecto. E só podemos desejar que sim.

Veremos como correm as coisas com a “transição política” do IRA e como evolui a situação entre os bascos. Ou seja, como se adaptam aos novos tempos o “velho terorismo” de cariz ou pretexto nacionalista. Talvez a eclosão e intensificação da “nova vaga terrorista”, mais cega e sem outro suporte que não seja o de atacar os fundamentos da civilização laica e democrática (sendo alvos todos os que nela vivem), tenha evidenciado, tornando-o insustentável por demais absurdo, um terrorismo cansado e evidenciando a sua componente serôdia. É dificil, e se calhar obsceno, escolher entre terrorismos, sempre ignóbeis, quaisquer que sejam as causas pretensamente defendidas. Mas, sem dúvida, e analisando pragmaticamente, tendo pela frente essa ameaça terrível e difícil de combater que é o terrorismo hiper-fanatizado de justificação fudamentalista islâmica, sem escrúpulos nem limites, não deixa de ser uma boa notícia esta que nos chega da Irlanda. Hoje, é caso para dizer, eu que estive sempre pela luta irlandesa contra a opressão e contra os métodos do IRA, sou irlandês. Lá para a tarde, vai saltar uma Guiness fresquinha, não duvidem...
publicado por João Tunes às 12:31
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Quinta-feira, 28 de Julho de 2005

LEMBRANÇA DAS CURRALETAS

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A Ilha do Pico ficou-me em memória como uma das paisagens mais impressivas. A Ilha do Pico, mesmo que só vista a partir da Horta, é de uma monumentalidade soberba plantada no Atlântico como se fosse um obelisco dedicado à rebeldia da natureza. Para mais, está aqui a “dois passos”.

Como marca de adaptação humana ao ambiente, por mais hostil que seja, tentando dele tirar sustento e ganhos, temos as célebres “curraletas” (muros vedando vinhas rasteiras plantadas entre pedras de basalto) e que foram reconhecidas como património mundial. A criação das curraletas deve-se aos monges que foram afastando e amontoando pedras vulcânicas para encontrarem alguma terra de cultivo. A conservação e posterior irradiação do calor armazenado nos muros de basalto acabaria por se revelar um factor importante para acelerar o amadurecimento das uvas e conferir (às uvas e ao vinho obtido) propriedades específicas.

Tropecei agora nesta fotografia sobre as vindimas nas curraletas do Pico e os meus pés acusaram de imediato um nervoso miudinho apelando para me meter a caminho. Não dá, mas tenho promessa que me hei-de cumprir de rever aquela paisagem única e impressionante em ameaça permanente de rasgar o céu.
publicado por João Tunes às 12:37
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Quarta-feira, 27 de Julho de 2005

NA HORA DA AUTOCRÍTICA (1)

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Depois de ler algumas reacções, não pode faltar a versão autocrítica deste post:

O imperialismo mostrou a sua face hedionda no caso do jovem electricista brasileiro assassinado barbaramente com oito tiros (sete deles na cabeça!) pela polícia britânica. Este crime que atingiu um irmão brasileiro, ido da pátria do Companheiro Lula, esse novo Cavaleiro da Esperança, onde se pôs a fome a zero abaixo de zero, se deu terra a quem a não tinha, mensalão aos deputados e onde polícia não assassina (e se assassinar, uma vez ou outra, só assassina branco louro e grão-fino ou tubarão ou traficante de droga ou sequestrador de mãe de jogador de futebol milionário ou dono de cadeia do jogo do bicho, nunca por nunca electricista nem jovem nem pobre e muito menos se fôr preto ou mulato ou mesmo branco que seja muito moreno) nem a corrupção ali tem cultivo porque PT é sigla de “pureza trabalhadora”. O crime de que foi vítima o jovem filho do proletariado brasileiro levou inclusivé o Ministro dos Assuntos Exteriores do Brasil a voar para Londres para mostrar a sua indignação junto do governo de Sua Majestade porque o Brasil em peso está indignado porque lá é terra livre de crime onde não há nem polícia nem civil que assassine e só pode exigir que seja de imediato dissolvido um tal “esquadrão da morte” que a Scotland deve estar a dar guarida sob inspiração de Blair e na ressaca da repressão ao chamado "terrorismo" que é acusado de ter perturbado o bom funcionamento e o cumprimento dos horários dos transportes colectivos em Londres e que terá redundado em alguns prejuízos económicos por uns tantos terem chegado atrasados aos seus empregos na City mas que não beliscaram os lucros monstruosos das multinacionais inglesas. O repugnante crime da polícia londrina é uma demonstração preversa da deriva ultra-securitária, obstinadamente marcial e estéril com que Blair, a pretexto de dois actos avulsos e aparentemente tresloucados ocorridos nos transportes colectivos este mês e, sob a falsa desculpa do combate ao chamado "terrorismo", mostrou a sua incapacidade em derrotar esse tal "terrorismo" que ele próprio ajudou, com Bush, Aznar, Berlusconni e Barroso, a criar e incentivar ao ofenderem e agredirem países islâmicos e assim se terem transformado em “terroristas nº 1” pois os chamados "terroristas", aqueles que se imolam por uma causa assente em convicções de outra área ideológica, civilizacional e religiosa (que temos de estudar para entender e não condenar aprioristicamente, negociando com eles em vez de os combater), por muito que façam, nunca serão tão culpados como ele – Blair - e Bush e Aznar e Berlusconni e Barroso, estes sim, terroristas sem direito a aspas.
publicado por João Tunes às 23:44
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O PROBLEMA NÃO SÃO AS PESSOAS, SÃO OS ERROS

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“A mim não me impressiona que Estaline tenha mandado não sei quantas pessoas para a fogueira, milhões... Esses exageros não me impressionam absolutamente nada. A História é assim. A História é feita dessas violências inauditas. O que me impressiona são os erros – os quais é preciso ultrapassar. Quando me vêm dizer: o Estaline deve ser condenado porque morreu muita gente às suas mãos, eu digo que não é por isso que deve ser condenado, mas pelo erro em nome do qual ele fez isso. Quando ele pensou que assim estava a salvar a ditadura do proletariado errou. Não foi por ter morto as pessoas, mas por pensar que assim salvava a ditadura do proletariado – e não estava a salvá-la!”

Dr. Arnaldo Matos, na Palestra/Debate sobre o tema “O COMUNISMO NO SÉCULO XXI” realizada em 18 de Março de 2000. Texto encontrado aqui.
publicado por João Tunes às 22:54
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Terça-feira, 26 de Julho de 2005

CONTRADIÇÕES

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Um excelente post do Miguel Silva levanta, com muita argúcia, o bloqueio das contradições geradas pelo turismo rural. Este texto só veio reforçar a minha convicção de que a componente do “desenvolvimento turístico” comporta o inevitável preço de destruição da paisagem humana e social (isto, nos casos mais benignos, porque normalmente não fica só por aí). Porque, acredito, os turistas são os maiores predadores sociais da idade moderna, além de que, como consumidores fáceis e passivos, favorecem o mercado da falsificação da representação dos usos e costumes. Por isto mesmo, o turismo é a pior via para se conhecerem terras e gentes. E os “lugares turísticos”, embora enriqueçam pessoas, perdem inexoravelmente a alma.
publicado por João Tunes às 23:16
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TALVEZ O MITO FASCISTA MAIS PERSISTENTE

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Eva Perón faleceu no dia 26 de julho de 1952. Portanto, hoje é dia de efeméride de um dos mais profundos e persistentes mitos latino-americanos. E como a América Latina é pródiga a construir e prolongar os seus mitos. Quase sempre, são mitos que simbolizam as utopias e as libertações desejadas e que se gostava não tivessem sido fogachos mas sim labaredas eternas na fogueira pela liberdade, igualdade e fraternidade. Simon Bolívar, José Marti, Luis Carlos Prestes, Che Guevara, idolatram-se porque se gostaria que as suas obras não fossem incompletas.

Mal parecia que, em terra de opressão fácil e de tiranias, alguém do campo do fascismo não fizesse companhia a estes ícones da esquerda e dos libertários. Existe e é o maior mito latino-americano (Che Guevara ainda precisa de pedalar mais um pouco para o bater) – Evita Perón. A alma da energia mobilizadora, da retórica e da demagogia de um dos fascismos mais pujantes e que mais a sério levou a prática da teoria fascista na sua deriva populista, ali apelidado de justicialismo, suportado nas massas fanatizadas dos descamisados organizados em sindicatos fascizados (tropa de choque de um catolicismo fascista e corrupto), um dos grandes aliados do fascismo e do nazismo na América do Sul (plataforma também dos negócios nazis), com amizades preferenciais com Franco, Salazar e Pio XII. E uma das formas com que Perón e Evita pagaram a lembrança do quanto ganharam com os pactos que fizeram com Hitler foi transformar a Argentina, depois da queda do Reich, no principal país de refúgio para os criminosos de guerra nazi.

Evita Péron morreu nova (33 anos), vítima de doença, o que ajudou ao mito. O marido (ex-amante), Coronel golpista Juan Péron, amigo estimado e protegido de Franco e de Salazar (foi em Portugal que Perón se exilou quando foi expulso da Argentina), sobreviveu-lhe o suficiente para relançar uma nova esposa para a ribalta política e permitir que o peronismo/justicialismo ainda seja uma força política que, de quando em quando, ressurge com força na arena política argentina.

A força do mito Evita (Lembram-se: “Não chores por mim, Agentina”?) tem uma força tamanha que até muita gente que se gaba de nada ter a ver com o fascismo (que horror!), ainda hoje se deixa fascinar pela figura dessa piedosa senhora a comandar os “descamisados” para a fuga da pobreza e pela conquista da dignidade humana...

Na imagem de cima, Eva Perón - nada "descamisada" - a ser recebida, em 1947, com todas as honrarias, por Francisco Franco e esposa.
Na imagem de baixo, depois da cerimónia de boas-vindas, Evita, na companhia fidelíssima do Ditador Franco, acena à multidão convocada em Madrid para mais um acto de idolatria histérica.


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publicado por João Tunes às 17:31
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Segunda-feira, 25 de Julho de 2005

OLHAR PARA ÁFRICA

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Havendo tantos blogues de pessoas tocadas por África (e, como não podia deixar de ser, prisioneiras do seu feitiço), umas por nascimento e outras por adopção, o blogue da Brígida tem, para mim, um encanto particular. Porque, embora deferente (às vezes, demais para o meu gosto e opinião), é uma marca de ligação cristalina. Não é maníaca nem possessiva. Capaz de olhar África solta do eurocentrismo sem se perder num afrocentrismo compensador de culpas ou de saudades e ódios. Apesar do engano do título que deu ao seu blogue. Muito menos o seu olhar é mítico ao ponto de ser capaz de meter uma realidade em mudança permanente na moldura de uma fotografia gravada na memória. Ou seja, não congela as suas passagens africanas nas amarras das vivências pessoais que, como se sabe, são únicas e intransmissíveis (fazendo uma pessoa, nunca um país ou um continente). E, assim, torna África livre, adulta e responsável, querendo-lhe o melhor e, por vezes, desejando-o com uma ingenuidade própria de quem se perde no prazer de gostar. E, por essa via, com África à solta e fora do colo, a Brígida torna-se mais livre no seu olhar. No meu entender, é este balancear, dando o nervo e o sangue aos seus sentires e vivências emocionais e afectivas, que dão um encanto particular (e romântico, no sentido nobre da palavra) aos seus textos em que se lê, sem necessidade de óculos, um amor cristalino ao estar e viver africano dos africanos que vivem e continuam África.

Leia-se este post e, quem quiser, diga se tenho ou não razão.
publicado por João Tunes às 23:29
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HÁ LÁGRIMAS QUE...

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Lamentável e condenável a morte do jovem electricista brasileiro pela polícia londrina depois de se confirmar que não se tratava de um bombista nem tinha ligações às actividades terroristas.

Lamentável e condenável que o jovem electricista brasileiro tenha, sabendo-se sob perseguição policial, saltado a entrada do metro, encenando uma fuga às autoridades e acentuado suspeitas de que se tratava de um bombista suicida.

Lamentável e condenável a choradeira desproporcionada sobre este erro policial (somado a um erro da vítima) falando-se em histeria securitária e apelando ao reforço da acusação emocional ao destacar-se que o falecido era ... brasileiro.

Adenda (20/08/2005): Obviamente que só sei o que se sabe pois não disponho de informações secretas privilegiadas e tento domar os preconceitos para que eles não me domem a mim. Na altura da notícia, confiei (porque ia não confiar?) na versão oficial sobre este triste acontecimento. Com os dados novos das informações que estarão contidas nos relatórios da "Comissão de Inquérito" aos incidentes que resultaram na morte deste cidadão brasileiro e divulgadas numa televisão inglesa, indicia-se que o baleamento homicida do imigrante brasileiro terá sido um inadmissível abuso histérico de autoridade levado ao extremo da retirada da vida a um cidadão inocente. O que exige que se tirem as consequências inevitáveis quanto à responsabilização dos homicidas armados em polícias e dos responsáveis que os encobriram e mentiram perante a opinião pública. Devem ser assim as democracias - ninguém acima da lei e a comunicação social a desmontar os descaminhos dos abusos do poder. Para que a democracia valha tanto que se demarque da barbárie defendida pelo terrorismo.
publicado por João Tunes às 18:05
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