Quinta-feira, 6 de Outubro de 2005

NO RIO DA TOLERÂNCIA

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Havendo divergências sobre a fé, a virtude e a santidade, que se salve, para com elas me entender, a irmandade no vício. Já é qualquer coisa.
publicado por João Tunes às 16:59
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LEMBRANDO MARIA LAMAS, MATRIARCA DA DEMOCRACIA

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Talvez a mais corajosa e pertinaz entre as mulheres portuguesas de todos os tempos que lutaram pela liberdade e mais sofreram por isso, nasceu a 6 de Outubro de 1893 e faleceu em 1983, quando tinha noventa anos de idade. Maria Lamas, uma inconformista lutadora que dedicou a maior parte das suas energias à luta pela igualdade entre os géneros e à causa da democracia. E como podia encarar isso o fascismo pidesco, como podia ele reagir perante uma mulher indómita e livre, ou seja, o oposto do paradigma feminino do ideal paroquiano e sacrista do salazarismo? Segundo o católico-fascismo à portuguesa, mulher era para obedecer ao marido, tratar do lar e encomendar almas em missas e no recato. Não podia ser de outra forma – Maria Lamas pagou o seu preço de rebeldia, e que preço, pela perseguição, a prisão e o exílio. Além da luta cívica que nunca abandonou até ao fim dos seus dias, Maria Lamas deixa uma obra significativa e eclética como tradutora, escritora e jornalista.

Lembrá-la é um incentivo a que a luta pela liberdade e pela igualdade entre géneros não se dê como terminada. Que mais não seja, para que o património do muito que devemos a Maria Lamas não se esfume pelos buracos da memória.

Agradeço a lembrança da efeméride deixada aqui e recomendo a leitura desta nota biográfica.

Imagem: cabeçalho da ficha de Maria Lamas na Pide/DGS.
publicado por João Tunes às 12:19
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SOLDADO FUI, OFICIAL TAMBÉM

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Quem se lembrou de me fazer soldado e (pior) Oficial ou era maluco ou ditador. Ao ruído e rotina das casernas, sempre preferi o cheiro dos livros ou as fervuras químicas dando novas cores e novos compostos. E as guerras de que gosto são as discussões acaloradas que rasgam madrugadas e que terminam num empate e num abraço, não desperdiçando uma faísca pelo meio. Depois, se possível, fazer qualquer coisa para que as coisas andem melhor.

Quando me lembro que me fizeram soldado, Oficial até, mandando-me para a guerra a servir sacanas e combater irmãos, tenho as minhas dúvidas se acertaram no tempo que me calharam como juventude. Fosse só eu, essa seria a única razão pela qual valeria tanto desacerto. Mas não. Foram muitos, demais.

E depois, não é por nada, mas ninguém gosta de arriscar tudo em empresas inúteis. Como se ser-se soldado e (pior) Oficial não fosse pouco, mandaram-se para uma guerra inútil, estúpida, perdida na nascença, tentando virar a história de patas para o ar.

Lá andei, não disse não, feito soldado e (pior) Oficial. Cumpri. Safei-me. Não foi mau de todo. Agora ando aqui aos trambolhões com a memória, sobretudo pensando nos irmãos-camaradas que lá – na guerra, de um e outro lado – deixaram de trambolhar, mas não me canso de chamar crime contra a juventude portuguesa à “epopeia da defesa do ultramar”.
publicado por João Tunes às 00:14
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