Sexta-feira, 9 de Setembro de 2005

COM A “INTERNACIONAL” METIDA NO CORPO?

Pina.jpg

Deve ter tomado o gosto pelos assuntos energéticos quando foi Ministro da Economia no primeiro governo Guterres. E aí deixou uma marca indelével quando transferiu a posse da participação privada na Galp das mãos de um grupo de empresários portugueses para os italianos da ENI. Os empresários tugas foram “compensados” com generosas prebendas fiscais para o retorno valorizado do que tinham investido; os italianos vieram, sentaram-se e desde então não devem ter feito mais que comerem peixe grelhado acompanhado de tinto alentejano na espera de novas boas novas (tanto mais que um estranhíssimo “acordo parassocial” lhes garantia o controlo total da petrolífera portuguesa se as coisas não atassem nem desatassem). Tudo resultou num enorme molho de bróculos que ainda está para se saber como (e porque) foi concebido na cabeça iluminada de Pina Moura.

O arrastar penoso da situação na Galp ainda deu para um consulado “à la gardere” de António Mexia (o empregado bancário vindo do Espírito Santo que Pina Moura enfiou no estrelato energético) e que lhe serviu para demonstrar que era figura de charme suficiente para enfeitar o governo santanete.

O ministro Carlos Tavares bem tentou cozinhar os bróculos da Galp já meio enresinados mas não se entendeu bem com as regras culinárias de Bruxelas e a coisa ficou em banho-maria. Ou seja, tudo como dantes – no triste estado em que Pina Moura tinha encafuado a Galp.

Por esta experiência desastrosa a mexer nos assuntos energéticos, mandaria a humildade autocrítica que Pina Moura contivesse os ímpetos em se meter neles uma outra qualquer vez. Mas parece que, afinal, os desastres lhe espicaçam o gosto e a atracção. Nos intervalos do seu “part time” parlamentar (onde é deputado da Nação pelo PS), Pina Moura não só voltou à energia como se profissionalizou no ramo - passou a presidir ao ramo luso da Iberdrola (uma eléctrica espanhola de média dimensão) e, por via de uma pequeníssima percentagem desta empresa no capital da petrolífera portuguesa, passou a ter cadeirão de administrador não executivo na Galp. Caso, pois, para confirmar que o regresso ao local do crime ainda é reflexo que continua a condicionar.

Os jornais dão agora conta que Pina Moura, não se contentando com coisas em escala pequena, lidera o projecto que tenciona colocar a Galp na posse da “sua” Iberdrola. Ou seja, saírem italianos e entrarem espanhóis. Uns e outros, nas entradas e saídas, guiados pela mão amiga da mesmíssima pessoa.

Uma coisa é mais que provável – desde os tempos da UEC e quando foi delfim de Cunhal, que Pina Moura nunca deve ter perdido o seu espírito internacionalista. E, parafraseando, convencido estará que “a energia não tem pátria”. Ou melhor, terá todas menos aquela em que se nasce. É de supor (mas como é coisa de intimidade, não interessa confirmar), Pina Moura continuará a trautear a “Internacional” nos seus duches de todas as manhãs que cantam.
publicado por João Tunes às 13:19
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. NOVO POISO

. NO RIO DA TOLERÂNCIA

. LEMBRANDO MARIA LAMAS, MA...

. SOLDADO FUI, OFICIAL TAMB...

. UMA VELHA PAIXÃO PELO “DL...

. LIBERDADE PARA FERRER GAR...

. VIVA A REPÚBLICA !

. FINALMENTE, A HOMENAGEM (...

. COM OS PALANCAS NEGRAS

. POR CESÁRIO VERDE
(esq...

.arquivos

. Setembro 2007

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

blogs SAPO

.subscrever feeds