Quinta-feira, 25 de Agosto de 2005

A DEFESA DA BOA SENHORA QUE BATEU NA BRUXA MÁ

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O caríssimo Evaristo ficou encantado com a “carta” da Maria João Seixas a Helena Matos. E atribuiu-lhe nada menos que estas condecorações: “A missiva é magistral, e o conteúdo é sereno, ponderado, pedagógico. Uma peça literária de bom gosto.” O meu caro Evaristo, em quem muito estimo os seus textos e a sua postura, terá sido o mais exuberante mas não foi caso único. Outras várias mãos aplaudiram a bordoada da “boa senhora” na “bruxa mᔠdo comentarismo político. Só que se as opiniões de Helena Matos são sempre mais que discutíveis, polémicas são e incorformistas sempre, ela não só escreve bem como expõe com clareza as suas ideias e fundamenta as suas opiniões. Situa-se num campo ideológico um pouco difuso entre o centro-direita e o centro anti-esquerda? Desmonta mitos acumulados no “politicamente correcto” das “causas da esquerda”? Òptimo, julgaria eu se toda a esquerda gostasse de ter adversários políticos e ideológicos que dessem luta, espevitando neurónios.

Concordar ou discordar, gostar ou não gostar do que a Helena Matos escreve não é caso. Ter uma atitude reverencial para com o conformismo sonso, coerente (pela persistência) e social-cristão de Maria João Seixas (que me lembre, sempre exercido na sombra do apego político à labita de Mário Soares e outros dignitários socialistas), tão pouco. E se uma tem catadura agressóide e a outra poses conventuais, não devia ser por isso que o gato é obrigado a comer a filhó.

A questão, no caso, é que Maria João Seixas deitou mão a uma via condenável, na sua carta, para atacar uma “adversária política” no exercício da sua função jornalística de comentadora. MJS não só misturou, e propagou, mexeriquices de zuns-zuns soprados nos bastidores televisivos como foi foi buscar o “passado político” (e, pelos vistos, revolucionário) da Helena Matos para a entalar com a ausência de direito de se pronunciar sobre atitudes e comportamentos de políticos e figuras públicas com os seus “altos e baixos”. Esquecendo que um comentador ou um jornalista (ou um blogger) não precisa de prestar provas curriculares ou cadastrais da sua actividade política passada e presente para o exercício da função, valendo pelo que escreve. Enquanto uma figura como o Presidente da República, ou de destaque equivalente, não se pode eximir a este tipo de apreciação. E Helena Matos, se foi acutilante para com Jorge Sampaio, não meteu sequer o pé no chinelo da deselegância. E o que fez Maria João Seixas? Usou informações sobre o passado de uma comentadora (sobre as quais ficamos sem prova nem contra-prova, ficando-se pelas insinuações) para lhe tentar destruir a força de opinião e de apreciação com base em pretéritos “desvarios guevaristas da juventude”. Feio, muito feio, contraponho eu.
publicado por João Tunes às 18:37
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3 comentários:
De Deniz a 27 de Agosto de 2005 às 14:09
Muito bem!
Uso o presente do indicativo para dizer que gosto muito do que Helena Matos escreve.
Uso o pretérito perfeito simples para dizer que já gostei mais de Maria João Seixas.
Muito obrigado, João Tunes, por nos ir deixando assistir àquilo que pensa, àquilo que sabe, àquilo que sente.
___________
Deniz Costa

['dignitários', mas isso é pouco importante.]


De Evaristo a 26 de Agosto de 2005 às 16:44
Caro João: Obrigado pelas referências, mas a sua prosa polemista é superior à minha ironia; foi por este caminho queirozeano que me atrevi a badalar a "carta" de MJS, que considero de antologia pelo teor e por achar que vai ter a resposta adequada por parte da fugosa e perspicaz Helena Matos, cujo talento muito aprecio e já o referi em anteriores posts.
A sua análise justa deu-me o retrato inteiro da "beata". Eu só imaginei a "bruxa má" de armas na mão em plena Serra da Estrela!... O comentário de Macsilva completou o retrato que o João havia desenhado.


De macsilva a 25 de Agosto de 2005 às 22:19
Não comungo das opiniões de Helena Matos nem das de Maria João Seixas, mas acho interessante uma crente piedosa usar como argumento da sua oposição às ideias defendidas por H. Matos o facto de esta ter estado um dia de armas na mão contra os democratas. H. Matos, se tivesse nascido na época de M.J.Seixas, muito provavelmente teria estado de armas na mão contra o fascismo (se isso tivesse sido alguma vez advogado por qualquer partido como táctica política), coisa de que M.J.Seixas nunca seria capaz, remetida que esteve (e continua) aos seus votos piedosos de desejo de mudança política. A distância entre H. Matos e M.J.Seixas, no que respeita ao empenhamento na luta pelo que se acredita (com a melhor das intenções, ainda que para os piores fins, não é muito relevante), não é apenas grande: é enorme!
E a distância entre ambas é também enorme no que se refere à capacidade de mudar. H.Matos, tendo sido esquerdista, assume-se, com coragem, como militante do centro político, defensora do capitalismo e anti-comunista, contra a ideologia que abraçou na juventude. M.J.Seixas lá continua apegada ao seu credo piedoso, agora menos tolerante para com a diferença de opiniões. Tão pouco tolerante que não se coibe de usar o passado de H.Matos para tentar "rebater" as opiniões desta. Ora, as ideias de H.Matos são as suas ideias do presente, não as suas ideias do passado, e era as ideias do presente que M.J.Seixas deveria esforçar-se por rebater, sem recorrer a insinuações sobre ideias e práticas do passado.
Porque não teve qualquer capacidade de mudança, M.J.Seixas não admite que outrem o tenha tido; daí o realçe à sua manutenção no mesmo campo e a desvalorização da mudança de campo de H.Matos.
Para além da mesquinhez argumentativa, M.J.Seixas não compreende aque as pessoas são históricas, isto é, que têm a sua própria história, reflectida no que vão sendo física e socialmente.
Oxalá existissem neste país muitas Helenas Matos, mulheres inteligentes e corajosas.


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