Segunda-feira, 22 de Agosto de 2005

SEMI O QUÊ? (2)

ElPresidente.JPG

O meu caríssimo amigo Carlos Gil não é homem de encolhas pelo refúgio no borladero. O que só me orgulha ter amigo assim pelo mostrar saber que é na arena que as coisas se resolvem e sabendo de arte aprendida (como todas as artes pois isto de autodidacta é fruta de restos que só se vai cultivando para as bandas de Periscoxe) que touro que salta as tábuas é manso entre mansos e investir contra os papalvos sentados nas bancadas é somente fuga às sortes embora possa parecer, numa primeira vista de amador, que a fuga aparenta vontade de mudar o mundo pelas avessas e despachar de uma vezada os aficionados de bilhete comprado com direito resguardado a desfrutar dramas forasteiros.

Pois o Carlos Gil, alimentando-me a mania do prazer em discutir, ripostou (e bem!) às alfinetadas que lhe mandei em post anterior. E, pelos vistos, só parou de teclar em fogachada de legítima defesa quando foi expulso pelo pessoal da limpeza e arrumações do ciber-café onde ele se aboletou (quem sabe se armado de saco-cama para que o seu espevito laurentino-ribatejano inaugurasse os primeiros brilhos da madrugada).

Mas, bandarilhando a fio nos seus desencantos (e tantos deles eu partilho com a raiva de assim ser verdade e tamanha que entra olhos dentro), levando-os aos extremos das costumeiras projecções apocalípticas, o Carlos Gil, pés bem enterrados na areia dos tércios, ficou-se a eternizar as mesmíssimas “chicuelinas” já antes desenhadas. Claro que não o vou arrancar da sua pose de estátua (que antes fez a glória e o drama de Manolete, só que este o fazia com a muleta e sem se perder em honras góticas ao uso fácil do capote) porque penso que a teimosia, com uma arte virtuosa como poucos além dele conseguem, e a par de mais outras incontáveis virtudes, é inquestionável e, por isso, passível de sim ou não, sem que provoque emoção mais forte e com direito a uma musicada de banda atamancada devido ao outsourcing da fiesta.

Dir-se-ia, pelo retro, que a conversa não tem mais labareda para animar polémica ou seu derivado, restando a fumarola de duas teimosias à procura de empate. Mas isso seria desprimor pelo artista que não merece ser acusado de vestir “luces” só para passeio de cortesia debutante ou enfastiada. Tudo nos devidos conformes e proporções porque os bons e pios costumes lusos (os que nos dão esta preversa versão de “coito interrompido” como representação de valentia) não permitem que se imponha ao desafiador da fera que mata ou morra para dali sair.

O Carlos Gil insiste em convencer do bom embarque na projecção do “reforço presidencial” como panaceia para os nosos males partidários e democráticos. Só que isso, mudando o disco da metáfora, é meter a tribuna a entrar em campo para compensar inépcia dos executantes encartados para a função. Procurando reforçar a necessidade da entrada “presidencialista” como sendo a pedido da bancada mais das claques. E, com toda a sinceridade, não vejo que Dias da Cunha - equipado de camiseta de pijama -compense as fífias do Liedson, ou que o Vieira – mudando de pneus - dê mais gás de finta ao Simão ou que o PC – mesmo imitando o novo penteado do Baía – vá ensinar ao Postiga onde está a baliza. É que essa súcia lá está para tudo menos para jogar. E não adianta mirar figurinos alheios importados de outros campeonatos. O Chirac o melhor que conseguiu foi um “Não” à Constituição Europeia. O Lula demonstrou a sua inutilidade ao jurar ser o único brasileiro que nada sabia do mensalão que sustentava as rédeas do poder. Do Bush não falo para não desatar aos palavrões. Por razões reforçadas não me refiro ao Putin e aos filhos que ele pariu. Quanto ao México, resta dizer “fox!”. Sobra o quê das virtudes do presidencialismo interveniente ou mitigado? Pois, Chavéz, o filho do Kim, o Comandante Fidel, mais alguns reis e algumas rainhas. E, desatando o novelo da História, vamos ter ao Getúlio Vargas e ao Perón, também eles saídos da redenção populista da decadência e corrupção dos partidos e dos políticos. Mas, por aqui, absolvo já o meu amigo Carlos de tão mal cheirosas companhias. Insisto antes, teimosia minha, que há é que meter duche escocês no balneário. E, em vez de nos projectarmos em miragens redentoras, tratar-lhes da saúde, obrigando-os a cumprirem aquilo que o contracto da “res-pública” os obriga.

Uma última nota, caro Carlos, que fica como desafio armado em perguntas.

- Como é que políticos sabidos e empedernidos como Soares e Cavaco, um com as manhas da experiência e com a prática do seu clan, outro com a tecno-frieza dos números santificados, acrescentam ou remendam as nódoas que nos moem a paciência e a esperança?

- Que moléstias se perderiam com a governamentalização de tais espécies?

- Tremendismo teu? Ou um semi-caminho?


Nota: Pois, caro amigo, para acalmia na discordância, fica exemplo na imagem para nos entenderemos sobre as bondades presidenciais. Vai por mim, os melhores "Presidentes" são os que se fumam... (nunca os que nos fumegam a nós)

Adenda: O Carlos, nos "comentários", já ripostou com as suas artes de quem bem domina a fórmula do "salero" apropriado a cada circunstância ou aperto e tanto que mais não insisto. Vão lá lê-lo e depois dêm uma ajudinha a arrancar o mufana em ombros de dentro da praça porque, às tantas, ele ainda vai querer cinco orelhas e três rabos de um bicho só. Abraço, amigo Carlos.
publicado por João Tunes às 17:25
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3 comentários:
De Carlos a 22 de Agosto de 2005 às 18:35
E aceito agradecido os charutos. Abençoados, que me quebram desconsolada dieta dos mui plebeus 'José L. Piedra' :-)


De Carlos Gil a 22 de Agosto de 2005 às 18:32
Duplamente afligido, com a ração e a investidura (do hasteado, não a presidencial), esqueci por completo pelo menos uma das interpelações directas:
Assentam todos os raciocínios numa manutenção democrática, que implica alternância. Portanto os desgostos com o 1º ou o 2º lugar tornam-se irrelevantes, pois tantas vezes 'ganhei' e vim a sofrer que, vá para lá um ou outro dos indicados não me perturba a ponto de pensar que a democracia fica em risco. Sinceramente acho que não. Há, claro, o gosto de vermos o 'nosso' ou os 'nosso' em primeiro, tratando-se de algo tão importanto como o que se fala, incomparavelmente mais que se chuto na bola fosse. Nem tem comparação sequer. Mas o exemplo servirá, com benevolência a que apelo, para dizer que se os meus perderem não é por isso que a 'verdade desportiva' está posta em causa. É a democracia. E, reafirmo-o, não acredito que com Soares, Cavaco, Alegre ou outros quasquer da igual extracção na Presid~encia, a democriacia corra perigos. Uns porque a eles muito a devemos. 'o outro' porque cresceu e é o que é porque nascido para a política em democracia, e não é parvo nem estúpido para sonhar em pô-la no frigorífico.
As mutações de voto t~em acontecido sempre ligadas à mudança de líderes partidários. O eleitor galvaniza a sua fé com a mensagem individual (a desilusão com o incumprimento é outra fase; mas, ao princípio, pelo menos, ele 'acredita'). Acredito não correr risco de excesso se disser que neste país a fé na inversão da degradação de economia, educação, civismo, assist~encia a quem dela carece, e tanto mais, precisa de ser galvanizada. Porque, provou-o o consulado de Man. Ferreira Leite e Bagão, e agora dos adjuntos do Sócrtaes vai pelo mesmo caminho, o 'chicote' estatal não funciona e ninguém gosta de ser 'chicoteado'. Precisamos é de ser galvanizados, correndo claro risco de esta expressão ter interpretação em excesso por clara insuficiência de expressão. Porra, precisamos de 'acreditar', e isso é bem mais possível se uma das caras lá de cima, de quem governa, for independente do ciclo de enganos e desenganos que tem acontecido. Não, não é um Messias. Será somente um tipo que foi eleito, "universalmente", portanto imbu+ido duma legitimidade que - eis a minha proposta em suma - deve ter expressão interventiva mais clara, maior. Como emissor de mensagem de esperança é mais viável que um que é arreado da cadeira por compadres e primos, sabendo nós em último lugar que, afinal, quem deu cara e voz por um projecto em que se acreditou, foi de férias ou mudou de acas, foi deserdado em família ou banido da corte, com um susbstituto que tem (as suas) novas ideias e interpretaçãos da tal mensagem que foi vencedora.
Não é banir os partidos, é fazê-los ver e faz~e-los aceitarem que há necessidade e lugar a serem coadjuvados por outro poder eleito, merc~e dessa eleição liberto do peso da canga partidária que tem os bornais excessivamente pesados com amores próprios.



De Carlos Gil a 22 de Agosto de 2005 às 18:03
Este homem arrasa-me e em vez de saída em ombros ainda vou é de padiola... Fornece-me ementa para eu escolher que, sinceramente, quase que me resta minguar ainda mais - e talvez seja solução para o chifrudo não me ver, e colher. É que arrasta para o cardápio pratos com validade suspeita, sem cuidar que nos 'outros' - os de refeição com selo e cartão e quota, far-se-ia com igual facilidade menu tão robustecido ou ainda mais. Mais ainda, suspeito que, lá na sua barreira, guardou na marmita nacos de presunto que não divide nem com touro nem toureiro, nem com companheiros de bancada. Um glutão, olé!
É que - fazendo sandes a contento, entre duas fatias de pão partidário e com estalo de língua e queixo lambuzado, não dsedenhava de, nelas, fatias, ver o conduto dar por apelido mais sonante que reles afiambrado ou mortadela de azeitonas - esta a penúria que me forneceu e com qual quase desfaleci, em instintiva nega orgânica. Onde param os pitéus, não há deles um nacozito que possa ser servido como exemplo a este seu amigo? Não, nem entro em arena a citar bicho ou nomes, senão ainda sou colhido. E só sou campino por adopção, quando me calha espectador e smepre nas filas de cima não vá a tal 'manso' engraçar comigo e depois é que era complicado explicar-lhe que se deixasse dessas coisas, o seu apelido é Manso e deveria respeitá-lo. Não, nessa arena não entro, tal como não como nem bifes de bisonte nem ovas de caviar. Sentir-me-ei tentado, talvez, a um bom rodízio brasuca mas com o calor que faz nem para aí me puxa, idem para chilis ou exotismos hermanados.
Puxa, mas também não quero morrer à fome, e o que é Nacional é sempre bom: proposta a escolha da lauta, presidencial, acha realmente que entre tantos putativos e alguns rimadores solitários, nenhum mereceria reforço de laringe, que permitisse o cite que leva a besta à cavalgada que permite encontro e ferro capazes de galvanizar a praça inteira?
Nestas coisas dos toiros estou em mim, mero amador, que é como com as crises e as quebras de fé: mais vale abreviar a lide e adiantar a pega que andar a arrastar despojos daquela entre verónicas e capotes, não vá depois a espada ser curta quando a besta desembainhar a hasteação.
E, pelo correr da lide, não só a orquestra não toca e se v~em lenços a mais, como os toureiros e peões são manifestamente incompetentes para fera tão manhosa e que de mansa nada tem.
Retire-se portanto tanta influência às tertúlias que têm feito exclusivamente o cartel, e d~e-se oportunidade de a praça apreciar trabalho e arte de artista, antes dos forcados e das chocas entrarem. O maior risco até é dele, a voltareta...
(até parece que percebo da fiesta, hein? e eu, que... lol)

Forte abraço


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