Domingo, 24 de Julho de 2005

SOBRE UM AUTO DE FÉ

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Percebi sobre o que falas. Também me arrepiei ao ler no Público de hoje o acto nefando do auto de fé sobre livros em biblioteca escolares decidido num despacho de um Secretário de Estado da Orientação Pedagógica (!). E pelo que percebi da figura de Rui Grácio, enquanto ele foi vivo e teve actividade cívica visível, era um homem ponderado e preventor de excessos. Mas, pelo menos num momento, o medo gerado pelo zelo revolucionário aqueceu-lhe a cabeça. O que nos remete, a mim remete-me, para a eterna pergunta – como é possível que a besta que há em cada um de nós, de vez em quando, de nós tome conta? E que me desculpes, querida Guida, prefiro esta formulação de partilha que a de transferir para os "responsáveis" todas as culpas, como me pareceu ser a tua posição. Sem canalhas colaborantes, como aqueles professores que se escudaram na cobardia do "cumprir ordens", o despacho do Rui Grácio teria sido apenas uma estupidez inútil sem que um único livro tivesse sido queimado. Mas, infelizmente, por cada dirigente canalha há uns mil canalhas para lhes cumprirem as ordens. E com um gozo talvez mais canalha que o dos mandantes.
publicado por João Tunes às 23:51
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4 comentários:
De Joo a 25 de Julho de 2005 às 22:41
Pois é Guida, compara agora este teu comentário com o teu post... Beijão.


De Mourato a 25 de Julho de 2005 às 22:22
Pois é, á distância de trinta anos é fácil julgar.Onde andavam os senhores que atiram as pedras?


De annimo a 25 de Julho de 2005 às 13:55
Só um reparo: são os carrascos, os tais cumpridores das ordens, tão canalhas como os juízes, os tais que ordenam? Estes sábem perfeitamente o que estão ordenando; aqueles podem não conhecer o alcance; aqueles, com o universo das suas decisões, atingem muitas mais pessoas ou coisas; estes, uma parte ínfima daquele universo; aqueles serão sempre os grandes canalhas; estes, quanto muito, apenas pequenos, pequeníssimos canalhas.
O caso concreto, parecido a tantos outros que haverá por contar, é apenas ilustrativo do que a paixão das verdades pré-estabelecidas são capazes de levar homens sensatos a fazer. Na educação como no resto...


De Guida Alves a 25 de Julho de 2005 às 00:49
Pois, querido João, nenhum de nós pode atirar pedras, também não teremos as mãos assim tão limpas...


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