Domingo, 24 de Julho de 2005

UMA CARTA FORA DO MEU BARALHO

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Já me pareceu uma alternativa útil na falência de alternativas. Ou de quem desse o passo em frente. Um género de frémito de impedir o pesadelo Cavaco.

Mas, entretanto, no Metro de Londres e a 7 de Julho, a Al Khaeda matou politicamente Mário Soares. O que então disse e depois repetiu, demonstram que Mário Soares se infantilizou para esconder a respeitabilidade que lhe devemos pelos seus oitenta anos de idade. Mário Soares já não tem a idade para ser esquerdista, um esquerdista irresponsável do género bloquista, porque lhe falta - lei da vida - a margem do tempo para ganhar experiência, maturidade e bom senso que, mais tarde, equilibre os desequilíbrios das “verduras”.

O terrorismo de matriz fanática islâmica declarou-nos guerra a todos. Matará qualquer um de nós ou os nossos filhos para, pelo terror, nos amedrontar, cedendo-lhes, na abdicação da tolerância e dos hábitos democráticos que demorámos - a humanidade - séculos e séculos a alcançar. Estender-lhes a mão é aceitar que eles coloquem a bomba nos nossos dedos.

O que Mário Soares disse, e repetiu, sobre o terrorismo, é plenamente aceitável como opinião individual ou mesmo na qualidade de opinion maker. É espantoso e irresponsável mas é legítimo como opinião. Mas Soares colocou-se além das margens do sistema de defesa das democracias e, por isso, irrecuperável para desempenhar um papel institucional e, muito menos, voltar ao cargo de Supremo Magistrado da Nação.

O drama do terrorismo, pela sua eficácia e poder corruptor, obrigou a colocar-nos acima (se preferirem, ao lado) da divisão esquerda/direita. Porque, com a morte da civilização, também as ideologias e separações de visão social, iriam na enxurrada. Cedendo à Al Khaeda de que adiantaria ser-se de esquerda? Nada, penso eu. Neste sentido, vejo Soares como um candidato inútil para a esquerda. Por assim pensar, nunca terá o meu voto (agora, nem com a mão a tapar-lhe o retrato). Um voto apenas, mas um voto. Que será contra Mário Soares e o abdicacionismo que ele representaria, se se candidatasse.
publicado por João Tunes às 23:02
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1 comentário:
De Carlos a 25 de Julho de 2005 às 01:34
Também pensei mais ou menos isso, não tão aprofundado, quando soube das declarações dele. Perdeu credibilidade. O que vale é que ele, manhoso e com aquela idade, só pensaria em entrar na corrida sem ameaça de derrota. E, vitórias neste momento, ninguém pode sonhar com elas alto demais. Por isso estão todos tão calados, a olhar uns poara os outros e a adivinhar quem se mexe... (por isso, lol, 'mexi-me' eu!)


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