Domingo, 2 de Outubro de 2005

PRÉ-PRESIDENCIAIS OU A FORÇA DO DESEJO

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O aparente meio-consenso das sondagens que dá esmagadora vitória ao ainda-não-candidato Cavaco, em que se dá a ideia de que o País já está meio-grávido de uma escolha presidencial, é apenas expressão da pré-volta, não servindo para mais que isso.

Cavaco beneficia, ainda, de não ser candidato assumido e estar a gerir um mistério desvendado. Quando abrir a boca, iniciar a pré e a campanha, mostrar ideias, obsessões e tiques, evidenciando os défices da figura, vai sofrer o desgaste que, pelo seu lado, Soares e Alegre já começaram a sofrer. Por outro lado, a direita ainda não mostrou as suas divisões, aparentando estar toda abrigada na tenda cavaquista. O que dá a ilusão de uma direita unida perante uma esquerda tetra partida. E, quanto a isso, a procissão ainda vai a dirigir-se para o adro. Estou convencido que a direita não resistirá à tentação de lançar, na caça ao tempo de antena, os seus jerónimos e louçãs.

Soares só tem como potencial para acrescentar valor, o peso do aparelho institucional e histórico, mais o que puder espremer-se do reumatismo do baronato socialista. Ainda, contabilizar as perdas de Cavaco quando este demonstrar os défices e excessos da sua imagem – o seu formato limitado para o desempenho do cargo e a tendência para o autoritarismo e intromissão na esfera governativa. De qualquer modo, suficiente para que Soares represente muito mais que os resultados das sondagens perante um Cavaco mudo, com aquele ar de quem acabou de comer uma espetada e engoliu o pauzinho e penteado com a laca do tabu de Polichinelo.

Alegre tem o enorme património projectivo do inconformismo e da rebeldia. O que reanima a tradição e o modo cultural da esquerda incapaz de se rever no autoritarismo cinzento e medíocre de Sócrates que está a exaurir a maior vitória da esquerda sobre a direita. Com o tremendo poder corrosivo da pedrada no charco, mesmo o eleitorado conformista-socialista acabará por entender que, ganhando ou perdendo, o “efeito Alegre” é a única dinâmica que pode levar a uma segunda volta e evitar que o resultado das presidenciais seja um abraço entre náufragos de Sócrates, Soares e a esquerda. Porque tem o poder de transformar a planeada peleja desinteressante entre dois “clássicos” já vistos e revistos, numa disputa em que a discussão em torno de ideias, valores e projectos esteja no centro da campanha e, com isso, torne os eleitores em cidadãos exigentes e disponíveis para votarem. Além que a sua ida à luta, só ela, dá energia à dicotomia esquerda-direita de que tirará benefício próprio (se forçar a segunda volta e for ele a passar) e acabará por criar as condições e a dinâmica para que, na segunda volta se consiga o objectivo difícil mas possível de vencer Cavaco e a direita, elegendo-se Alegre ou Soares.
publicado por João Tunes às 21:14
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