Quarta-feira, 20 de Julho de 2005

VAMOS LÁ DESCER À TERRA

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Tirando a questão de somenos quanto ao estilo (prefiro os “menos pesados” e o dele induz-me transpiração de anfiteatro cheio de Lentes em dia de solene Seminário Académico), eu leio sempre e com muita atenção os textos do estimadíssimo Miguel Silva. E, por regra, aprendo ou, pelo menos, fica-me a fazer pensar (o que é o melhor para se motivar o aprender).

Este post não foi excepção na regra. Gostei e até enfiei a carapuça de “jogador do totoloto” quando ele diz:

”Por essa blogosfera tem havido uma profusão de textos muito bons sobre a necessidade de entender o fenómeno das formas actuais de terrorismo para melhor o combater. Mas, ainda assim, com a igual quantidade de opositores a esta concepção, não é demais relembrar um autor que se dedicou, com lucidez, a esta temática. Até porque há quem confunda a compreensão com a aceitação ou a capitulação. A compreensão do outro não inviabiliza o juízo moral sobre os seus valores, tal como não pressupõe uma assimilação cega nem uma recusa obstinada dos seus modelos culturais. Permite, isso sim, uma visão crítica mais informada da realidade. Quem não perceber isto só vai acertar nas medidas mais correctas para combater o terrorismo como quem acerta no Totoloto: por mero acaso.”

Mas, carapuça enfiada, não deixo de considerar que na parte da defesa de uma certa dama (e que é honrada como todas as outras desde que vestidas com argumentos), há um sofisma que atravessa o argumentário e que ele tenta fazer perdurar.

É que, caro Miguel, não julgo que “nós outros” estejamos contra o aprender e o compreender o terrorismo (negociar com eles, já é outro negócio). No meu caso, defendo que as competências policiais e criminalistas de combate ao terrorismo exigem sofisticação de meios, de informações e de entendimentos. A diferença fracturante, pelo menos a que consegui perceber, não está por aí. Porque, que eu saiba, ninguém defendeu a marrada policial ou a cegueira gatilheira. E quem defenda tal, decerto que o vai camuflar num celofane respeitável. Até porque os tempos que correm não são propícios à estupidez assumida (essa fica para os que fazem o trabalho sujo do racismo e da xenofobia). Julgo que a grande diferença esteja entre os que escrevem “a necessidade de entender o fenómeno das formas actuais de terrorismo para melhor o combater” e outros que escreveriam em alternativa “a necessidade de melhor combater o terrorismo e, para isso, entendê-lo o melhor possível”. Para que as águas fiquem nos tanques devidos e não haja confusão entre chefes terroristas e lideres eleitos nas democracias. Não dando margens a dúvidas que os primeiros são para aniquilar (poupando vítimas, poupando-nos) e os outros são, quando demonstrem falta de mérito, para serem substituídos em próximas eleições e sem confusão de valorização entre bomba e urna de voto, dando como adquirido que este paradigma está mais que entendido e compreendido. E que, muito menos, seja necessário regredir para o caos para depois reconstruir tudo direitinho. Porque, como dizia o cantor, para pior já basta assim.
publicado por João Tunes às 17:24
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2 comentários:
De Joo a 23 de Julho de 2005 às 23:23
Li e lá comentei. Abraço tb.


De Miguel Silva a 21 de Julho de 2005 às 12:40
Contra-argumentado no VE.
Um abraço.


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