Segunda-feira, 18 de Julho de 2005

“MEXIAGATE” OU APENAS FUMAÇA?

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Uma criação técnico-espiritual do BES chamada António Mexia, o homem que, há pouco, representava o papel de bluff da eminência parda em competência de Santana Lopes, mostrando ser um “speed trans” na forma mal agradecida como “abandonou” o seu “progenitor de notoriedade” (Pina Moura) para depois evidenciar os seus lapsos de vistas curtas ao querer prolongar, a qualquer custo, a permanência no palco político através da entrada no naipe errado de Luis Filipe Menezes, começou agora a ser “despido” na praça pública. O Expresso levantou, no último sábado, um pequeno véu (eventualmente com um ou outro erro de pontaria e de precisão à mistura) daquilo que terá sido o lastro da sua passagem (e trampolim para a ribalta insuflada) pela presidência executiva da Galp.

Compreende-se que António Mexia meta advogado de fama para processar o Expresso por danos na sua imagem e se desdobre em declarações de imberbe mancebo ofendido. Não julgo que isso seja pelas matérias de facto das peças jornalísticas que abrem e fecham o último Expresso. Mais euro menos euro, mais nome menos nome, o Expresso apenas deu um pálido retrato do “clan Mexia” dentro da Galp e que, em grande parte, constituiu uma estratégia de afogar a sólida estrutura consolidada de saber português na actividade de “oil” (e que estava acumulado desde os anos quarenta do passado Século) pela supremacia de um negócio emergente e que, por natureza, lhe é concorrente – o do gás natural. E essa “modernice” (para mais, o “gás” não requer saberes especializados, porque aquilo, tecnicamente, resume-se a “depósitos + tubos+pressão-pressão”) facilitou os golpes de efeito e de aniquilação para um quadro promovido a líder e que, do anterior, apenas dominava palestras académicas e saberes financeiros numa entidade bancária (BES). No caso, o problema do baixo perfil de Mexia para a “função” foi resolvido pela descida da “função”. Para isso, necessitava, na consumação do “golpe” (como se sabe, apadrinhado por Pina Moura), de um séquito e substituir a cadeia de poder e de saber da Petrogal (já anteriormente pré-destroçada pelo seu antecessor – Santos Silva, um homem que, vindo da Shell, se comportara na Petrogal como um elefante numa loja de loiça) por dar lugar a uma nova guarda pretoriana. Nada de novo em casos deste. E os séquitos pagam-se. E os mercenários também. Alguma novidade nisto? E quem pode pagar, paga mais este que aquele. Só que o Expresso não apanhou, ou não quis mostrar, a lógica, o fio principal dos pagamentos sumptuosos no estabelecimento de uma cadeia de poder à medida. Ficou-se pelo esbanjamento de recursos e pelos sinais de nepotismo. Fraco desempenho jornalístico este e que, afinal, Mexia devia agradecer com um suspiro de alívio. Porque a evidência da substância afogou-se na espuma.

Então, porque é que Mexia estrebucha e representa um contra-ataque jurídico de ofendido e caluniado perante os “fraquitos” artigos do último Expresso? Ninguém deve ter a pretensão de substituir o psicanalista de outro cidadão. Muito menos o seu advogado. O máximo que se pode fazer é plantar pistas. E uma delas é que Mexia queira, neste caso aparentemente benévolo, concentrar os fogachos que façam tanta fumarada que evitem outras perguntas e outras investigações. Por exemplo, que se apure:

- Como é que Mexia estabeleceu e como é que “pagou” (em patrocínios e em admissões, pelo menos) um lobby em parte da comunicação social e que culminou na sua projecção mediática para o papel de “gestor de charme”?

- Quanto é que custou á Galp a destruição/substituição do seu logotipo (para um efémero e incomunicável “flower man”) e o posterior regresso ao velho logo (com uma estilização aplicada)?

- Qual o papel que desempenhou no denunciado apoio a um dos consórcios concorrentes á privatização da Galp?

- Porque é que Mexia deixou a Galp e foi para Ministro de Santana Lopes?
publicado por João Tunes às 00:12
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