Sábado, 16 de Julho de 2005

ENTRETANTO, E AS BOMBAS, MEUS SENHORES?

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Uma pessoa passa sei lá pelo quê se não se incluir entre os críticos radicais do “anti-terrorismo de Estado”. No mínimo, por cego ou cabeça dura. A nata desta corrente de opinião, quase toda vinda do pacifismo anti-americano (uma velhíssima corrente do activismo político assente na Cadeia dos “anti” – era-se anti-fascista e anti-imperialista, é-se anti-americano porque se continua anti-imperialista), necessita de fazer uma ponte entre a denúncia de Bush e Blair de ontem com a reacção aos actos dos assassinos do fundamentalismo radical de pretexto islâmico imposto pelas últimas bombas. E o fio deste afã de coerência leva ao explícito ou subentendido – se Nova Iorque, Madrid e Londres conheceram as mortandandes nefandas é porque se meteram com os muçulmanos que estavam lá sossegadinhos nas suas vidinhas e nas “madrassas”. Um passo portanto de reclamar que Bush, Blair e Aznar são os principais responsáveis pelos atentados. E atenção a Lisboa e a Roma, não se admirem se os talliban quiserem vingar as asneiras de Barroso e Berluscconi, meteram-se com eles, o mais certo é que paguem (paguemos) por isso. Claramente, deixemos de rodeios, um processo de transferência de responsabilidades criminais e que senta as democracias no banco dos réus e Bin Laden com absolvição induzida.

Claro que os críticos do “anti-terrorismo de Estado” condenam Bin Laden e os seus crimes. Mal parecia, também. Aliás, também eles estão contra o terrorismo. Mas não acreditam no seu combate por meios policiais e muito menos através de melhores meios policais. Isso é básico, ameaça-nos os direitos, lberdades e garantias e, acima de tudo, é ineficaz, afirmam. Há que entendê-los (os terroristas e a sua motivação), estudando-os, percebendo-os, fazer pontes, acalmá-los, perceber as razões culturais, civilizacionais, nacionais, económicas e sociais que expliquem o desespero assassino, substituindo a “polícia” pela “política”. E, sobretudo, não lhes dar pretextos, incomodando a pacatez bucólica das “madrassas”. Em resumo, colocar a inteligência cultural e política no lugar do gatilho e da vigilância electrónica. Para mais, por nunca ser, um pacifista anti-imperialista nunca pode estar de bem com polícias - eles (os polícias) não prestam porque não previnem tudo e menos prestam quando actuam e querem sofisticar as suas técnicas para prevenir (horror, podem ler o registo de um mail ou SMS que enviámos a uma candidata a namorada).

O problema é que não houve um único destes críticos, os paladinos da clarividência, nem Soares nem qualquer dos seus inspiradores e companheiros de pensamento, que adiantasse a ponta de uma unha no vasto campo cultural-filosófico-político que advogam se desbrave. Apenas querem que se pare para estudar, pensar, entender. E, um dia, um gúrú em questões islâmicas aparecerá, por aí, com a tal “chave” na mão para gáudio de académicos e políticos anti-imperialistas e Bin Laden, pela vergonha, desaparece da circulação com reforma antecipada.

Afinal, para nossa maior e possível tranquilidade, vai-se demonstrando que, entre os apelos seráficos aos “estudos”, as polícias estão a seguir as recomendações dos seus críticos. Fazem-no e devem fazê-lo. E cada vez melhor. Porque o entendimento da psicopatia do fanatismo é, em primeiro lugar, obrigação das polícias. Que os estudem bem e os combatam ainda melhor.
publicado por João Tunes às 12:32
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