Sexta-feira, 15 de Julho de 2005

A FOME COM A VONTADE DE COMER

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Como reconheceu João Cravinho em entrevista à última Visão, não é difícil prever que o governo não se aguente se a conflitualidade, sindicalmente alimentada, se mantiver e intensificar. E avisa, sem que isso seja solução para o problema, que do depois quem pagará sobretudo as favas serão os trabalhadores com o regresso da direita ao poder mais os riscos quase fatais de esse regresso ser musculado e dirigido com Cavaco na Presidência e desde a Presidência.

Julgo que o quadro traçado e com que concordo, que não pode beliscar os direitos e garantias dos cidadãos, incluindo o direito à greve (*), deriva de um beco-sem-saída dos descaminhos da esquerda. De uma parte da esquerda que governa com fragilidades evidentes. De outra parte da esquerda que se afirma pelo fatricídio político e a fuga para a frente. E aqui se chegando, como graduar culpas?

Da parte do governo, as debilidades não estão nas medidas tomadas (com um ou outro erro de pontaria e de timing). Residem essencialmente na incapacidade de mobilizar os concordantes, motivando-os através de outras medidas de progresso e de desenvolvimento sustentado. Politicamente, este governo, já fraco quanto a liderança, escolheu o caminho da solidão – ansioso a arranjar inimigos e incapaz de arrastar amigos que lhe guardem as costas. Afinal, a velha história do autismo como refúgio arrogante para a falta de projecto.
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<img alt="capt.sge.kdq88.070705225555.photo00.photo.default-380x259[1].jpg" src="http://agualisa3.blogs.sapo.pt/arquivo/capt.sge.kdq88.070705225555.photo00.photo.default-380x259[1].jpg" width="299" height="204" border="0" /><br><br>Como reconheceu João Cravinho em entrevista à última <i>Visão</i>, não é difícil prever que o governo não se aguente se a conflitualidade, sindicalmente alimentada, se mantiver e intensificar. E avisa, sem que isso seja solução para o problema, que do <i>depois</i> quem pagará sobretudo as favas serão os trabalhadores com o regresso da direita ao poder mais os riscos quase fatais de esse regresso ser musculado e dirigido com Cavaco na Presidência e desde a Presidência.<br><br>Julgo que o quadro traçado e com que concordo, que não pode beliscar os direitos e garantias dos cidadãos, incluindo o direito à greve (*), deriva de um beco-sem-saída dos descaminhos da esquerda. De uma parte da esquerda que governa com fragilidades evidentes. De outra parte da esquerda que se afirma pelo fatricídio político e a fuga para a frente. E aqui se chegando, como graduar culpas?<br><br>Da parte do governo, as debilidades não estão nas medidas tomadas (com um ou outro erro de pontaria e de timing). Residem essencialmente na incapacidade de mobilizar os concordantes, motivando-os através de <i>outras</i> medidas de progresso e de desenvolvimento sustentado. Politicamente, este governo, já fraco quanto a liderança, escolheu o caminho da solidão – ansioso a arranjar inimigos e incapaz de arrastar amigos que lhe guardem as costas. Afinal, a velha história do autismo como refúgio arrogante para a falta de projecto.<br<<br>Da parte dos Sindicatos, a sua força actual e exibida faz parte das suas velhas debilidades, numa espécie de <i>estertor reivindicativo</i>. Tudo acelerado com o obreirismo instalado na direcção do PCP e que fundiu, a um nível nunca visto, a actividade partidária com a actividade sindical, com clara supremacia da primeira sobre a segunda. Ou seja, as lutas são marcadas (sobretudo entre os meios de trabalhadores que se sentem ameaçados com as alterações das regras, pintadas pelos “comissários políticos” como perdas de direitos, e que, por sinal, não se verificam nos restos de operariado mas sim no funcionalismo que vive da fraca prestação dos serviços do Estado aos contribuintes) pela pressão para lutas, mais lutas, todas as lutas, em que qualquer pretexto ou forma de luta são bons. Como disse claramente Carvalho da Silva “as lutas vão aumentar porque este país precisa de uma lição de solidariedade”.<br><br>Era esperado que este fraco governo PS, mas bastava que fosse do PS, tivesse pela frente uma frenética oposição dos velhos sindicalistas do nosso velho sindicalismo. É a sua matriz e a direcção partidária não dorme (**). O “nosso sindicalismo” (construído noutra época e depois congelado), adormecido pelos longos jejuns quando a direita governa e nos dá na cabeça, reanima-se com a “falsa esquerda” no poder. O risco actual é que estes sejam os últimos cartuchos de uma geração de sindicalistas que, enquanto trabalhadores, perderam a ligação com a transformação social e que, pela longa manutenção no poder sindical, muitas vezes já completamente burocratizados, ou já não têm empresa de origem para regressar, ou os seus ofícios desapareceram, ou já estão demasiadamente desactualizados para se reinserirem na vida profissional. Resta-lhes o que mexa onde se mexa para se mexerem, como se sofressem do sindroma do “bombeiro incendiário”. Por outro lado, parece confirmar-se que o governo não lhes quer ficar atrás na incapacidade de modernizar este (também velho) país, dando-lhe rumo e projecto, incentivando energias positivas. E em que uma consequência seria a absolescência evidente do nosso velho sindicalismo com a premência de ele se modernizar ou morrer. Assim, empatam-se e empatam-nos. Porque estão bem um para o outro.<br><br>Entretanto, valham-nos os Sindicatos. Bem vamos precisar deles. Um dia destes.<br><br><i>(*) – Vão longe os tempos, em que se combatiam como “contra-revolucionárias” as greves que “faziam o jogo da direita”. Hoje é diferente: para a frente é o caminho (a revolução perdeu-se? então, faça-se a revolução!).<br><br>(**) – Quem fôr leitor do “Avante” percebe-o na perfeição. Está lá tudo – os foguetes e as canas.</i>
publicado por João Tunes às 15:30
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