Quarta-feira, 6 de Julho de 2005

DESCAMINHOS DA UNIDADE

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Repare-se como é difícil juntar tijolos na “unidade de esquerda” quando uma das suas forças pensa assim sobre a União Europeia:

Ӄ preciso lembrar que:
• esta «Europa», fundada aliás no contexto da «Guerra-Fria» e estreitamente vinculada aos EUA, confirma-se em cada dia que passa tudo menos a «Europa» dos «valores» e dos «ideais» que tentam vender-nos pois a sua «alma» é o lucro;
• a longevidade da ditadura fascista foi possível porque, sendo Portugal um país colonialista era simultaneamente um país colonizado, pelo que a Revolução portuguesa implicava uma política de independência nacional, mas o processo de integração europeu significou o afunilamento das relações externas e, a par da NATO, o comprometimento sempre maior da soberania do país;
• na sequência da «Europa connosco», que representou uma ingerência brutal da social-democracia na situação interna portuguesa, a entrada de Portugal na CEE foi concebida e explicitamente concretizada como um instrumento de luta contra a revolução portuguesa, de destruição das suas conquistas, de restauração do capitalismo monopolista;
• foi prometido o «El Dourado» e, para integrar o «pelotão da frente» impostos sacrifícios aos mesmos de sempre, mas o país contínua na cauda da U.E. em índices fundamentais e, sobretudo, viu o seu aparelho produtivo destruído em sectores vitais, conquistas sociais sujeitas a um violento ataque, a democracia empobrecida e a soberania nacional comprometida.
É contra este logro colossal que lutamos. Não para isolar Portugal mas para verdadeiramente o abrir ao mundo, diversificar as suas relações, fazer ouvir a sua voz própria na arena internacional em defesa dos legítimos interesses de Portugal e dos portugueses e em relação às candentes questões do desenvolvimento mundial. É aí que se situa a luta que travamos, com outros partidos comunistas e forças de esquerda. Os defensores da União Europeia do grande capital e das grandes potências manobram activamente para recuperar da derrota do «Não» francês e holandês. Não lhes daremos tréguas.”


O naco de prosa transcrita é da autoria de Albano Nunes, membro da Comissão Política do PCP e um dos moicanos ainda em actividade e vindo do núcleo dirigente da fracção de Cunhal, podendo o seu texto integral ser consultado aqui. Quem explica, entre os arautos da “unidade necessária e possível”, como é que estas posições conciliam ou são susceptíveis de consenso com mais alguma coisa do que com a abencerragem marxista-leninista da saudade dos ontens que cantaram?
publicado por João Tunes às 18:28
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