Terça-feira, 5 de Julho de 2005

AINDA SOBRE O RACISMO

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Do nosso leitor António Augusto Oliveira, recebemos por mail a seguinte réplica a um post aqui colocado:

”Quase de acordo com o seu texto sobre os “pretos”.
Só que a África é cada vez mais racista e xenófoba, pelo que as explicações aduzidas por Carlos Gil não funcionam. A cada dia que passa, aumenta exponencialmente o racismo em África.
Os argumentos aduzidos por CG não passam pelo crivo da história: se assim fosse, a África do Sul teria explodido numa guerra horrível entre europeus e africanos (visto que a África do Sul era a forma mais perversa de racismo-colonialista que existia).
Nada do que é dito e escrito explica a onda de violações de que foram vítimas as francesas na Cote D’Ivoitre há uns meses, por exemplo. Os argumentos aduzidos não explicam o feroz racismo contra os mestiços em países como a Zâmbia, Zimbabwe e outras antigas colónias britânicas (onde são conhecido, pejorativamente por 50%).
Como explica o racismo em Angola, que vai em crescendo e que acabará, um dia destes, (daqui a uns anos, depois das eleições próximas) numa explosão de violência? Lembra-se do que acontece ciclicamente aos chineses da Indonésia? É o que irá acontecer aos mestiços e brancos de Angola, se não houver cautelas.
O racismo negro-africano existe, é cada vez maior e não se pode explicar apenas com o colonialismo, bem pelo contrário.
É triste? É. É preocupante? É.
O quê que deveria ser feito? Não sei.”


Esta leitura parece-me enviesada. Porque não se pode negar que a peste do racismo é uma peste independentemente de quem a propaga e quem dela é vítima. E nunca um mal justifica qualquer outro mal. E se o racismo é uma manifestação de intolerância, ele é acima de tudo um sintoma de outra doença – a da recusa de outros. E recusar outros com base em conceitos de pertença diferente (e a mais estúpida das recusas é a identificação dos recusados pela cor de pele) é sempre um mecanismo primário de defesa. Porque é uma fuga, pela generalização dos medos, para o abstrato da culpabilização. Ou seja, é um acto de cobardia perante os problemas e as suas causas, descarregando-se num qualquer bode expiatório (por isso se escolhem as minorias – ou maiorias sob controlo das forças repressivas - como alvo, não pelo que são mas sim porque, como minorias ou como maiorias subjugadas, são julgadas como indefesas para poderem ser atacadas). Sendo igualmente nefandos os racismos branco, negro ou amarelo, cada uma das suas erupções terá as suas causas, umas gerais e outras específicas, mas sempre associada a uma sublimação de uma cobardia na gestão dos medos. Não vejo em que é que o meu texto e os textos do Carlos Gil podem ser diminuídos com a invocação de exemplos do “racismo negro-africano”.
publicado por João Tunes às 12:34
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