Terça-feira, 5 de Julho de 2005

SAN FERMÍN, OLÉ!

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De 6 a 14 de Julho, Pamplona, em non-stop, terá lugar a festa religiosa mais pagã e mais intensa de toda a Europa. Ali, no coração de Navarra, San Fermín é o Santo ou o pretexto para o excesso? Vai-se ali para curtir tudo a empurrar o limite, o regresso só a San Fermín compete decidir.

Neste período, a que Ernest Hemingway deu fama de universalidade (quem não leu o seu fascinante ”Fiesta”?), os noticiários vão contar os mortos e os feridos, mais os excessos e os do contra. Vão haver cornadas para todos os noticiários. Porque, ali, em Pamplona, cada minuto pode ser o fim do mundo ou o princípio do prazer e do desafio – num “encierro” ou no excesso de “copas”. Porque a cabra da navalha de dois gumes do efémero escreve vida num lado e no outro mostra a morte. Com cada um a querer equilibrar-se pelo meio para competir com o prazer de estar vivo sabendo, tentando-o, poder não estar.

Eu pertenço ao número de medrosos que não arrisco San Fermín mas sonhando lá estar. Cada um sabe de si.

O programa deste ano pode ser consultado aqui.
publicado por João Tunes às 00:15
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5 comentários:
De Snia F. a 6 de Julho de 2005 às 11:15
Estou esclarecida. E persuadida em ir nos próximos anos, se não for mesmo no próximo. Olé.


De Joo a 5 de Julho de 2005 às 23:37
Como "cada um por si" minha cara e jovem Sónia? Que mal explicador eu sou! Nada disso. San Fermín não tem nada a ver com expressões individualistas. Se há "cada um através dos outros" é ALI. E está lá o pañuelo para o confirmar. Ali, a Sónia projecta o seu desafio - em que medida enfrenta e ladeia o bravo no encierro, como lhe mede as distâncias, depois como calcula a capacidade e o alcance do engano, faz a finta o melhor que sabe, escapa-se ou tenta escapar-se (fase 1 - individual); se sobrevive ganha os namorados que quiser e que um dia sonhou como ideal que pode muito bem ser o mesmo de toda a vida (fase 2 - colectiva); se for derrotada vai ter a solidariedade activa de todos os loucos que ali foram parar (fase 3 - saída em ombros). Em Pamplona, ninguém está só. Porque, lá estando, tem logo a garantia de heroína-fetiche. Desde que use pañuelo, é claro. E fique-se com esta: aquilo não é "festa de rua", é festa na rua, no hotel, no bar, com copo e com cama, em todo o lado onde o corpo e a alma se conseguem arrastar. Regra primeira: ninguém obriga ninguém; regra segunda e última: cada um faz com alguém o que lhe der na gana (desde o touro até uma "petinha"). Garantia: cumpridas as duas regras, San Fermín a todos protegue. Na "ferminada", Pamplona é terra isenta de pecado. É que, minha cara, não sei se sabe, mas as Festas de San Fermín são abençoadas pela Santa Madre Igreja Apostólica Romana. E se Deus não dorme e daquilo gosta, ali tudo é virtude. Até o pecado. Olé!


De Snia F. a 5 de Julho de 2005 às 17:05
Sim, é cada um por si. De qualquer forma não tenho nenhuma intenção de correr à frente dos touros. Mas uma festa colectiva de rua é sempre grandioso e muito apelativo, ainda para mais sendo em Espanha, um país que me atrai imenso. Um dia quando for, falarei consigo. :) Obrigado.


De Joo a 5 de Julho de 2005 às 15:12
Cara Sónia, se ler o programa das festas deste ano e para que fiz link, verá que os "touros" é "uma pequena parte" da "Ferminada". Sendo a parte nuclear do programa, muitíssimo está além dos touros. Os eventos, um programa hiperintenso para oito dias em que o problema é tempo para dormir, são diversos e há loucuras e culturas para todos os gostos. E ninguém é obrigado a correr á frente das hastes (em pontas) nem ir à corrida ao fim da tarde. Aquilo é Navarra, a louca, a Navarra dos excessos (em que os nacionalistas bascos dizem que aquilo é basco e de Pamplona responderem que não, ali é o Reino de Navarra e afrimam-se "carlistas" até dizer chega). Talvez para compensar, pelo muito pecado, o facto de a Universidade de Navarra (em Pamplona) ser a Universidade da Opus Dei. Tenho um amigo que vai à "Ferminada" todos os anos e há muitos anos (agora já lá está). Se resolver ir num próximo ano, ele pode dar dicas e talvez meter cunhas para alojamento (o que não é assim fácil tamanha é a procura e de todas as partes do mundo). Quanto à loucura não há amigo que valha, é o que der na cabeça de cada um e de cada uma porque no próximo ano há sempre mais. Abraço.


De Snia F. a 5 de Julho de 2005 às 12:56
Eis um lugar que nunca fui, e só pela fiesta deve ser fantástico. Já está na to do list.


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