Terça-feira, 21 de Junho de 2005

O DIABO QUASE EM PORTUGUÊS

diab_2.jpg

O Lutz teve, há dias, o descaramento de seleccionar, publicamente expondo o resultado, aquilo que ele mais aprecia neste blogue (confundiu blogue com autor, mas não faz mal). Foi simpaticamente descarado, diga-se, embora me tenha sentido tão desconfortável como alguém a quem se arranca a gravata e se diz: “cá está, deste tipo, o seu melhor”.

Pois está na altura de me vingar. O que mais admiro no Lutz (vício profissional dele?) é a forma multifacetada como ele ciranda de tema em tema como se o bloganço fosse uma volta pela enciclopédia do saber e do interrogar. Abre-se-lhe o canto de escrita e ali encontramos de tudo como numa loja chinesa. O homem parece tudo querer saber e perguntar. Espevita-se e espevita-nos.

No seguimento dos milhentos temas que ele já esmiuçou, deu-lhe agora para meter os católicos ao barulho e desafiá-los a falarem do Diabo. E aqui chegado, fiquei mortinho de curiosidade doentia. Ora bem, isso mesmo - “boa malha” ó Lutz -, por isso também eu me interesso e não é pouco. E não tenho parado de escarafunchar-lhe a “caixa de comentários” à procura de matar a sede à minha velha curiosidade (talvez a mais antiga, vá-se lá saber por quê). O resultado é decepcionante. Os que se atrevem a não fingir que não ouviram o desafio, encolhem-se, dizem pouco ou nada saberem sobre o belzebu, baldam-se é o que é, desviam a conversa para o oposto das virtudes (Cristo, pois claro), que não têm tempo para pensarem no mafarrico, etc e tal. E a minha esperança, velha esperança, de ver o animal domado e atado pela arreata, nada de nada.

Ora de Jesus Cristo já eu sei e julgo saber-lhe tudo. Até das manhas. Porque com esse todos acamaradamos e nos julgamos parecidos ou próximos de vizinhança. Aliás, andamos cá para isso mesmo – parecer-nos com Cristo, sem passar o que ele passou, evitando a repetição dos seus erros tácticos. Ou seja, imitando antes um outro que com ele terá aprendido, termos rigidez estratégica (a da santidade) sem descurar a flexibilidade táctica (fintando os adversários quando eles correm atrás de nós com os pregos na mão). Por aí, novidade não vem.

Agora sobre o Diabo, ou sobre quem as suas vezes faz, é que a coisa fia fino. Que ele nos atrai, isso é um facto. E que mais não seja por tendência para o equilíbrio. Mas daí até lhe conhecermos as voltas e as artes e com ele fazermos a pax necessária de lhe dizermos “alto e para o baile”, é que a porca torce o rabo. Pois nem o Lutz nem os seus brilhantes e habituais visitantes-comentadores me elucidaram a ponta de um alfinete. Está mal. Fico-me com o que aprendi com os brasileiros: “o diabo não é diabo porque é diabo mas sim porque é velho”. Ou aquela outra: “o diabo, quando velho, disfarça-se de sacristão”. É curto? Culpa do Lutz e das companhias que ele arranjou.
publicado por João Tunes às 19:17
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5 comentários:
De Joo a 22 de Junho de 2005 às 15:43
Claro que não cedo à chantagem da Helena de me ameaçar com míngua de salsichas e cervejolas. Tanto mais que uma cristã só pode ser magnânima na hora da salsicha. Eu conto com isso. E claro que a leio e aprecio sempre (com a distância exótica da minha estimada diferença mas o querer Bem, por caminhos diferentes, e que faz mais proximidade que qualquer doutrina estruturada). Quanto á leitura da estratégia de Cristo, se ela foi entendida como universal, expliquei-me mal. O que quiz dizer é pessoal e intransmissível - foi a leitura que mais me convém (só a mim?). Afinal, generalizei o que é pessoalíssimo. Que me desculpem a Helena e o Kolbe. Mas, viva a concorrência mais a emulação socialista, quem me explicou tudo direitinho foi a Céu. Que aula! Nós para aqui às voltas com Cristo e o Diabo e afinal com o Céu aqui tão perto. Pronto, já me retratei. E que isto sirva de lição de humildade ao Frei Carlos que aqui meteu acha quando devia haver-se com as suas rebaldarias eróticas de catequese mal entendida em vez de me incentivar à contumácia no pecado. Para o Lutz, só o corrigo a dizer que não acho que pudor seja virtude mas hábito, quando muito uma mania ou, afinal, apenas fruto das circunstâncias.


De Lutz a 22 de Junho de 2005 às 11:57
Agora sensibilizado pelo embaraço, que um elogio pode causar, agradeço muito sinceramente! É nesta coisas que me lembro do valor duma virtude tão em desconsideração como o pudor... Prometo, para a próxima vez, embarçar com mais contenção, na medida que me será possível.


De ceu a 22 de Junho de 2005 às 02:56
João, queria responder-lhe a si e ao Lutz, mas o texto era grande e tornou-se necessário mandar para aqui:
http://conversa2.blogspot.com/2005/06/ele-h-coisas-do-diabo.html (http://conversa2.blogspot.com/2005/06/ele-h-coisas-do-diabo.html)
:) Um abraço "construtivo"!


De Carlos a 22 de Junho de 2005 às 02:22
Tema fixe. Mais um a acompanhar porque também tenho por ele muita curiosidade, coisa que virá dos temores aprendidos naqueles anos de catequese, e naqueles livrinhos que o tinham envolto em chamas e de ancinho na mão. Boa dica, João.


De Helena a 21 de Junho de 2005 às 21:14
Ó João, não me provoque! Olhe que eu tenho a cerveja e as salsichas na mão! ;-) // Se quer saber sobre o diabo, não me pergunte a mim, que nem sei nem tenho sentido grande necessidade de me informar. Mas pode ir ao Espectadores, que está cheio de boas informações para quem se interessa pelo assunto(http://espectadores.blogspot.com/, (http://espectadores.blogspot.com/,) "O Diabo à luz da doutrina judaica e cristã " e seguintes). // Diz que de Cristo já sabe tudo, e fico cheia de inveja. Quem me dera saber muito mais! E por isso não perco tempo com o que me parece menos importante. // Permito-me discordar do que diz sobre andarmos a tentar imitar Cristo sem lhe repetir os erros estratégicos. Nem todos são assim. Sugiro que leia o que escrevi na Terra da Alegria na segunda feira passada (basta a última parte) - o exemplo do Padre Kolbe mostra que ser cristão pode ser mortal.


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