Segunda-feira, 20 de Junho de 2005

LÁ (e cá, já na ressaca)

xicuembo 009.jpg

Eu não consigo conhecer muita gente ao mesmo tempo. Sou um tímido cuidadoso. Preciso de vagares para entender olhos e gestos e seguir os fios que ligam à alma. Algazarras de festas de finalistas, com a “nini”, a “gigi”, a “lóló” e o “tótó”, não são comigo. Nunca foram, nem sequer quando fui finalista. São-me representações de vitalidade próxima de vida de superfície e que me afastam em vez de me abraçarem. Defeito meu. Mais um.

Neste fim-de-semana fui a uma festa social bonita e com a solenidade própria de quem, em público, se prestava a dar à luz um livro. Não um livro qualquer mas um livro saído mesmo das entranhas de uma vida rica formada mas não reformada. Para mim, foi, só podia ser, uma missa laica. E depois de lido e relido, um livro excelente. A prometer e merecer irmãos mais novos. Falo, é evidente, do já celebrado Xicuembo. E dele falarei com o vagar da distância de leitura pensada porque o Carlos merece, além dos carinhos que teve, a palavra crua e amiga da observação exigente. Até porque suponho que uma última coisa que ele não gostaria de ser seria a de santo em altar.

O Autor esteve magnífico na grandeza da emoção sentida e na amizade partilhada. Ouvi, com deleite, palavras sábias (as do Rui Grácio) e poéticas e serenas (do Guilherme Melo - *). Vi jovens a representarem, com gosto e empenho, o parto de um livro. Vi e cumprimentei gente do bloganço. Pois foi. Saí sobretudo com a curiosidade ansiosa de aguardar um novo blogue de alguém (Magude será nome ou o quê?) que lá esteve e sabe plantar ironia em despique de talento e que, estou certo, vai ser a grande surpresa da nova temporada. Além, é claro, de ter ajustado contas com parte dos mimos em atraso e em dívida com a minha querida Guida, sob a observação atenta e condescendente do seu companheiro. Pouco? Tanto!

(*) - Pode-se ler a belíssima oração de Guilherme de Melo aqui.
publicado por João Tunes às 16:16
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4 comentários:
De Joo a 22 de Junho de 2005 às 16:00
Meus caros, não arrisquem as vossas economias a apostarem nas minhas qualidades. Os meus defeitos estão mais expostos, jogar neles é tiro e queda. Se forem por aí, a fortuna espera-vos. Olé Espanha, Olé Portugal, Olé Moçambique, Olé ...


De Carlos a 21 de Junho de 2005 às 17:53
e há outras, IO, há outras... como esse Grande Coração, e calo-me senão fica suspeito porque ele gosta muito de 'Olé España'... lol


De IO a 21 de Junho de 2005 às 00:57
Algazarras de festas de finalistas, com a “nini”, a “gigi”, a “lóló” e o “tótó”, não são comigo - eis a maior qualidade que o frei-autor vê em ti, aposto!... Abraço, IO.


De Bravo Mike a 20 de Junho de 2005 às 19:04
Moçambique, Jan05:
REGRESSO DOS “PÁRAS” A MOÇAMBIQUE - 2005

“ Trinta anos depois de partirem do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 32 no norte de Moçambique, os «Paras» voltam a Nacala, aquela que foi a sua base durante 9 anos, entre 1966 e 1974” (Comissão organizadora – comunicado à imprensa)
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C-Caç 803/

Aqui jaz /*

Joaquim Pais dos Santos/
Sold nº2255/64/


Natural de Nelas – Nasceu em 17/7/1943/


Faleceu em combate a 23/11/1965/


Homenagem dos seus colegas/


Que o recordarão através dos tempos//
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Província de Cabo Delgado - Mueda - Cemitério de militares portugueses.

Em Mueda em tempos capital da guerra, uma das campas dos militares portugueses que ali defenderam o último domínio europeu em África. Os primeiros europeus com a ciência de ali chegar, os últimos destinados a sair. Joaquim e outros, ali continuam hoje, ano da graça de 2005. Luta, guerra e morte, para quê? Porquê?
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WHY?
(no original, texto da campa em caixa, sob o WHY do Vietname e de sempre.
Um dos regressados-BM




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