Domingo, 19 de Junho de 2005

CHINCHÓN

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Um dos encantos de caminhar à toa por Espanha é a facilidade com que se encontram lugares e lugarejos que nos encantam – pelo ambiente forte, pela simplicidade da evidência com que os símbolos se entornam e pela concentração num pequeno espaço de uma história que nos mira com olhos que vêm da Idade Média. Claro que é preciso ter-se sorte. O inóspito, o agressivo e o mau gosto também se encontram no tropeço que menos se espera e nunca se procura. Mas viajar é isso mesmo – descobrir, separar e escolher. Depois, para o viajante, Espanha tem o enorme pró de em qualquer parte se encontrar sítio (pelo menos, com a decência mínima) para dormir e para comer, o que permite que, sem preocupações logísticas, se trace uma aventura de conhecer o que se quer e onde se quer e, a qualquer momento, se possa reescrever a marcha consoante a telha que nos dê.

O meu amigo Jorge, meu “hispanista” privativo, havia-me assinalado Chinchón, um pueblo nas cercanias de Madrid e a poucos quilómetros de Aranjuez. Lá fui recentemente, como aqui já o disse.

E o que encanta em Chinchón, esse pueblo de treta? Pois trata-se de uma pequeníssima aldeia cujo encanto maior está na sua Plaza Mayor - um enorme e redondo areal envolto em casas de madeira, muito antigas, e repletas de balcões até aos seus quartos andares (ao contrário das outras Plazas Mayores sempre rectangulares). Era dia de meter carro dentro da praça em terra e de ali poder estacionar. A terra batida e a forma redonda da Praça explicava-se facilmente – estavam lá as marcas, em pedra, dos apoios onde, em dia de toros, as trincheiras são instaladas e a praça passa a arena, funcionando as bifurcações das ruas e os balcões das casas, cafés e restaurantes para instalação dos aficionados. Não era dia de corrida e os únicos a merecerem lide (então, de uma manzanilla) eram os forasteiros procurando descobertas. Ficou o espanto por esse medievo enquadramento de velhas e esbeltas casas de madeira em cascata de varandas. Espantou-me. Espanha espanta-me sempre.

PS – Recusei-me a lá dormir. A Avenida que levava direito até à Plaza Mayor mantinha o nome incontornável (perene?) de Avenida Generalíssimo e era lá que se concentravam Hotéis e Hostais (e se eu nunca dormiria num Hotel situado numa qualquer Rua Adolfo Hitler, porque o havia de fazer numa Avenida com nome de um dos seus mais extremosos amigos?). Mas, como vêm, sou de sectarismo contido, não deixo de recomendar o pueblo apesar do reaccionarismo patronímico do Alcalde do sítio.
publicado por João Tunes às 01:06
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