Quarta-feira, 15 de Junho de 2005

TEIMANDO

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Cavaco a correr para Belém, com a ajuda amiga do PCP e do BE em desgarrada e a apertar os calos ao governo na contabilização para a conta da demagogia dos efeitos das dificuldades conjunturais (é a revolução, meus senhores!), representa o principal perigo de uma enorme regressão. Primeiro, seria um retrocesso de tipo proto-sidonista (por contenção anti-panfletária, refiro Sidónio em vez do António) ao nível institucional, ao colocar-se em Belém uma personalidade com perfil de contabilista e de fraca cultura social, política e com défice de sentido multifacetado de Povo e de Estado. Segundo, também pela razão primeira, uma mistura obscena de funções presidenciais e de governação que redundaria em corrosão sem proveito nem efeito outro que não fosse o beco-sem-saída do reforço do messianismo que concentraria a massa da esperança no Salvador (tenham-se em conta, as gritantes debilidades de liderança, projecto e afirmação no PS e no PSD).

A grande crise que atravessamos – financeira, económica, de projecto e de valores – empurra as esperanças para o milagre da redenção. No caso, para uma qualquer varinha mágica que encurte caminho na travessia das dificuldades e no reforço da Autoridade (haja ela, seja qual for). Assim, Cavaco está como peixe na água. Desgraçadamente - a História ensina-o - as falésias das crises atraem no mesmo impulso suicidário as variantes não democráticas à esquerda e à direita num beijo de morte (de que, por estatística, a direita tem melhor arte para tirar as castanhas do lume). O impulso pelo aproveitamento dos vazios ou/e das grandes perversões convida a que se atalhe, através da mobilização do desencanto impaciente e terminal, evitando-se (para os redentores da missão política) o enfadonho do encadeado, sem esperança de sucesso próximo à vista, da consulta eleitoral e da alternância. Nas situações de crise, esta esquerda sente a revolução mais próxima, esta direita espreita o bem amado autoritarismo caudilhista.

Como Cavaco se candidata, é preciso derrotar Cavaco. Tarefa nada fácil, reconheça-se e em abono deste candidato que tem demonstrado uma talentosa perícia a construir a sua rampa de lançamento. Também pelas circunstâncias e porque a esquerda anda a dormir na forma e ocupada nas voltas à crise.

Para a esquerda democrática, já se perdeu demasiado tempo. Há que acordar. E decidir. Por Manuel Alegre se for para perder com a alegria serôdia do romantismo. Por Mário Soares se for para derrotar Cavaco.
publicado por João Tunes às 16:09
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1 comentário:
De Guida Alves a 15 de Junho de 2005 às 19:27
Lá terei que engolir mais um sapo... "A bem da nação"! Beijinhos.


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