Terça-feira, 14 de Junho de 2005

COISAS DO ACASO

Luz.jpg

A coincidência tem a culpa que um poeta tenha morrido entre as mortes de dois políticos.
Se não é conveniente que um poeta se intrometa entre mortes de dois políticos, o acaso desculpa-se um pouco por, nos casos, os políticos terem sido revolucionários.
È que se um poeta nos abre aos sonhos, os revolucionários, mesmo quando políticos, servem-nos sonhos para que os sonhemos acordados, feitos massa, em vez de nos distrairmos a sonhar.
Se a um poeta só não desculpamos os sonhos de que não nos meteu asas, aos revolucionários, sobretudo quando políticos, nunca desculparemos os pesadelos que eles sonharam para nós e por nós, pintando-os de sonhos, querendo-nos felizes às suas maneiras.
A um poeta podemos desculpar um mau poema, nunca mais o lendo, rasgando-o se a repulsa for mais que tanta. Aos revolucionários, por muito que os admiremos, nunca poderemos fazer a paz com os sonhos traídos porque inventados fora de nós, sobretudo quando lhes misturámos vida, a nossa vida, coisa que, como se sabe, nunca se consegue rasgar.
Não sei se foi boa a ideia do acaso meter um poeta a morrer entre as mortes de dois políticos. No caso, dois revolucionários. Mas se o acaso percebe alguma coisa de poesia, então o acaso armou-se em revolucionário e fez uma feijoada de sonhos.
publicado por João Tunes às 01:04
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4 comentários:
De chuinga a 14 de Junho de 2005 às 21:44
Belíssimo texto! - um beijo, IO.


De Joo Carvalho Fernandes a 14 de Junho de 2005 às 15:23
Julga que safa assim?

Vá, conte lá algumas daquelas histórias com um dos revolucionários...

Abraço


De Helena a 14 de Junho de 2005 às 14:28
Já estava a estranhar a ausência! Bendito silêncio, afinal, do qual surge um post assim. -- E deixar-se rasgar pela vida, e aperceber-se depois que foi por sonhos alheios, também é uma boa maneira de chegar ao "confesso que vivi". OU, como dizia o outro poeta, pelo sonho é que vamos. -- Só falta morrer agora um cozinheiro, para a estes sonhos se juntarem os outros, com calda de açúcar... ;-)


De Werewolf a 14 de Junho de 2005 às 06:15
Bom, muito bom mesmo João
Abraço revolucinário com um travo de poesia


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