Segunda-feira, 6 de Junho de 2005

E AGORA … GALIZA, OLÉ! (2)

1950.jpg

Obviamente que o meu desejo de ver Fraga e o PP apeados do mando regional dos galegos, não é inocente (nem há inocências grátis, como diria o outro). Tem a ver com a estima que nutro pela Galiza, pensando como penso que eles andam atrasados há muitas décadas na concretização do seu merecimento por melhor (apesar da forma vagarosa como eles acertam o passo pelo mundo) e pelas influência positiva da mudança num espaço (o galaico-duriense) cada vez mais comum e partilhado em termos económicos, sociais, culturais e políticos e que envolve as duas margens do Rio Minho.

A Galiza nada ganhou, mas muito perdeu, com o facto do Ditador Franco ser galego e de a Galiza ter sido rapidamente subjugada (foi das primeiras regiões a que os golpistas deitaram mão, apesar da resistência heróica de muitos galegos republicanos) pelo bando militar fascista. Franco pagou à “sua” Galiza as origens e a rápida conquista com o atraso e muitos curas para lhe dizerem missas, transformando aquela Província no ponto de partida do maior número de emigrantes espanhóis.

No regresso da democracia a Espanha, em 1975, outro galego (e antigo ministro franquista), Fraga Iribarne, conseguiu aguentar a linha de continuidade de velhas fidelidades feitas de submissão e que não se quebrou até aos dias de hoje. Embora sejam evidentes, na Galiza, as marcas de modernização que atravessaram toda a Espanha, a Província continua a fazer parte, juntamente com a Extremadura e parte da Andaluzia, da mancha de menor qualidade de vida espanhola. Ao mesmo tempo que, na Galiza, tem germinado uma cultura própria e um “nacionalismo” que a aproxima cada vez mais de Portugal que do resto da Espanha, ou seja, a natureza das origens comuns a romperem as teias das divisões administrativas entre povos da mesma matriz. O desprezo pela Galiza “periférica” por parte do poder central espanhol ficou bem patente na forma como os efeitos do desastre do “Prestige”, no governo Aznar, se fizeram sentir nas costas galegas e nas vidas dos seus pescadores (apesar de a Província ser a única Autonomia vincada no mando do PP). Veremos como funcionará, no dia 19, a “memória”.

Finalmente, a parte “interesseira”. Pela continuidade e laços com o norte português, uma mudança na Galiza para a esquerda e para a reafirmação da “autonomia e cultura galegas” seria um factor positivo de influência política e cultural capaz de espevitar minhotos e trasmontanos.
publicado por João Tunes às 12:44
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2 comentários:
De Joo a 7 de Junho de 2005 às 16:32
Saia então um "caldo galego" para a nossa mesa de conversa. Abraço (no intervalo de uma gaitada de foles)


De Werewolf a 7 de Junho de 2005 às 11:52
Ora aqui está mais uma paixão que partilhamos: a Galiza.
Concordo plenamente com o escreveste neste artigo, até a parte "interesseira".
Abraço galego


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