Quarta-feira, 28 de Setembro de 2005

28 DE STEMBRO

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O BB esfalfou-se por aí a perguntar pelas esquinas “onde estavas tu no 25 de Abril?”. Nunca conseguindo celebridade pelos seus méritos literários, BB ficou célebre por este inquisitório em que confrontava cão e gato com os seus pergaminhos antifascistas sobre o lado da barricada onde se encontrava quando o fascismo luso ficou, num ápice, feito em fanicos. Infelizmente parece que, hoje, não andará vergado à vaidade pela ideia, vendo-a, há muito, reduzida a qualquer compêndio do anedotário da basófia revolucionária. Uma pena, porque devia ter continuado. Persistindo nessa saga de confronto de cada um com a sua coerência nos caminhos e descaminhos por esses campos fora da revolução e da contra-revolução. Por exemplo, perguntar-nos onde estávamos no “28 de Setembro”, no “11 de Março”, no “25 de Novembro”, etc e tal.

E antes que o BB tome boa nota da sugestão aqui caída, eu adianto-me já e digo-lhe onde andei no 28 de Setembro de 1975, só porque olhei para o calendário e reparei que é dia dessa efeméride.

Pois, eu de véspera, noite a fechar o dia, recebi telefonema alarmado e alarmante (julgo que do meu “controleiro” de então, uma pessoa que sempre estimei e muito continuo a estimar – o escritor Mário de Carvalho), convocando-me a ir “defender a sede do Partido” na Rua António Serpa mesmo em frente ao local da grande provocação fascistóide (a Praça do Campo Pequeno). Por lá andei, em coesão de grupo, esperando no que dava a saída à rua dos que, na praça de touros, encenaram o apoio ao Spínola e as injúrias ao companheiro Vasco. Pelos vistos, as forças mediram-se, avaliaram que estavam em equilíbrio e guardaram-se para o dia seguinte, o da “manifestação da maioria silenciosa”.

No 28 de Setembro propriamente dito, o que se passou está mais que documentado. O Spínola viu que tinha mais olhos que barriga, borregou-se, batendo com a porta de Belém. A malta fez umas barricadas na entrada da capital, pôs a reacção com as calças apertadas na parte traseira, o MFA estruturou-se e agarrou nos cordelinhos.

Pois não fiz nada de especial no 28 de Setembro. Nem na véspera nem no dia seguinte. Apenas estive com a revolução e contra a reacção. Mas gostei de ganhar, como gosto sempre. Que mais não seja, para equilibrar as derrotas e desilusões com que levei no pelo.
publicado por João Tunes às 18:39
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